Paixão piracicabana

Novembro 17, 2008 por Raphael Diegues

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O Brasil é característico por ter peculiaridades próprias. Em cada lugarzinho do território existe uma tradição, um costume ou marca idiossincrática de uma região. Sempre que se tenta lembrar de algum traço importante, vem logo a cabeça a gastronomia baiana, com seus vapatás e acarajés, ou o chimarrão e o churrasco gaúcho. Entretanto, mesmo com o desconhecimento da grande maioria, inúmeros outros pontos únicos existem, o formam o retrato do País.

No interior de São Paulo, mais especificadamente em Piracicaba, um esporte que ganha cada vez mais adeptos foi desenvolvido na própria cidade, por um morador local. Joaquim Bueno de Camargo, mais conhecido como Quim, criou o Quimbol, modalidade que funde técnicas do vôlei, tênis e futebol.

Em uma quadra com as mesmas dimensões das de vôlei, o jogador empunha uma raquete própria para o desporto, que juntamente de outros três parceiros forma um time, duelando contra outros quatro atletas noutro lado da rede.

Com regras próprias que lembram os dos esportes baseados, o Quimbol desenvolve o trabalho em equipe, que pode fazer até três toques antes de passar a bolinha, de espuma, para o outro lado.

Embora poucas pessoas conheçam, o esporte começa a tomar conhecimento de outras praças, já que esta sendo oficialmente apresentada durante os 72º Jogos Abertos do Interior, realizados na própria Piracicaba. Único esporte de raquete em equipe no mundo, o Quimbol é mais uma particularidade única e um esporte genuinamente nacional.

Vernácula banalização

Novembro 10, 2008 por Raphael Diegues

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Um dos símbolos pátrios mais presente na vida das pessoas e considerado um dos mais bonitos do mundo, o Hino Nacional Brasileiro está sendo assassinado semanalmente pela Federação Paulista de Futebol, que por meio de uma Lei Estadual, é obrigado a tocar o Hino em todas as praças esportivas de São Paulo.

Desrespeitados por tudo e por todos, muitas vezes tocado bem antes dos jogadores perfilarem-se no gramado, ou até mesmo cortado em plena execução, o Hino Nacional não deveria ser tão banalizado como é. E na verdade nem pode.

Pelo quinto capítulo da Lei 5.700 de 1971, que trata sobre símbolos nacionais, é obrigatório o respeito durante a execução, portando-se de pé e em silêncio. Até mais, qualquer outro tipo de gesto, como aplaudir, é proibido quando o Hino estiver tocando.

Entretanto, o que se vê durante o inicio das partidas é a destruição da representação sonora do País. Torcedores, imprensa e até os jogadores parecem não ligar para o ato. É comum ver durante as transmissões a cantoria das torcidas durante o Hino. Este que muitas vezes é tocado quando o aquecimento ocorre e a imprensa está trabalhando.

Então qual o motivo continuar com tal desacato? Mesmo sendo uma Lei, seu funcionamento mostra-se inútil perante os acontecimentos atuais. Campanhas, como a da Jovem Pan, são presentes contra a continuação da obrigatoriedade e ganham força quando os próprios profissionais do esporte, o técnico do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo, é um deles, criticam esta prática.

Fica a esperança para que manifestações deste porte repercutam por todo País e cheguem aos ouvidos dos que assinam as leis. Pois até que não seja corrigido este erro hercúleo, Joaquim e Francisco continuaram rolando em seus túmulos.

A droga chamada futebol

Novembro 7, 2008 por Raphael Diegues

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Era uma vem um jovem de nome João. Ou Antônio, ou José, ou Fernando. Era uma vez um jovem sem perspectivas, vivendo um dia após o outro. Sua família não dispunha de recursos para facilitar dos agouros que a vida proporcionava, e tinha como meta apenas passar de ano na escola. Certo dia o pequeno João, ou Antônio, ou José, ou Fernando, no pátio de seu colégio conheceu uma droga viciante chamada futebol, que levou o petiz a experimentá-la durantes horas, dias e anos, ocupando a maior parte do seu crescimento. Pequeno João, ou Antônio, ou José, ou Fernando percebeu com o cair das folhas sua excelência naquele vício. Tanto que seu pai, um agricultor, ou vendedor, ou lixeiro, ou professor, logo o inscreveu numa escola especial, especial para garotos viciados nesse mesmo tipo de droga.

Durante algum tempo a escola aprimorou as técnicas do já adolescente viciado, e num dia como qualquer outro disse que nada mais podia ensinar. Sorte sua que nesses anos amizades foram criadas nesta escola, como um senhor que prometeu abrir novas portas para seu futuro, levando-o para uma vida melhor. Experiência e técnica o jovem já tinha, faltava apenas essa chance de mostrar seu talento pelos quatro cantos do país.

O já não tão pequeno João, ou Antônio, ou José, ou Fernando teve sucesso em sua nova empreitada, graças à ajuda de seu suposto novo amigo. E nessa nova oportunidade ele cresceu como as árvores que seu pai plantava quando era pequeno, de tal maneira que transcendeu sua própria capacidade de praticar o vício que lhe acompanhava durante todo esse tempo. Anos após aportar nesse novo momento de vida, o suposto amigo trouxe uma nova pessoa, que falava uma língua estranha, e prometia todo o ouro de Eldorado para o talentoso rapaz. Ouro que o pequeno João, ou Antônio, ou José, ou Fernando jamais poderia ter imaginado numa vida normal sem a droga chamada futebol, que possibilitou ao pequeno garoto sem perspectivas na vida rumar novos mares. Mares que ele não conhecia. E assim foi João, ou Antônio, ou José, ou Fernando, que agarrou a única oportunidade da vida, e virou mais um no grande êxodo que existe no cenário nacional atualmente.

Desfile de rodas

Novembro 5, 2008 por Leonardo Aires

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Está aberta a 25º edição do Salão Internacional do Automóvel. Até o próximo dia 8 de novembro, os amantes das máquinas (ou quem convive com um) poderão apreciar as novidades preparadas pelas montadoras no centro de convenções Anhembi Parque, em São Paulo. A equipe Cibermundo esteve no evento e mostra as novidades e atrações presentes no evento ao longo da semana.

Para quem nunca foi ao Salão do Automóvel, à primeira vista, o que surpreende é a amplitude do evento. São 170 expositores e mais de 450 veículos, em uma área de 85 mil metros quadrados. O estacionamento para o público ocupa toda a área do sambódromo Grande Otelo, que fica ao lado do centro de convenções. Entretanto, a segunda coisa que mais impressiona, à primeira vista, é o preço. O ingresso normal custa R$30 e crianças entre 5 e 12 anos pagam R$20. Os ingressos podem ser comprados também pela internet, onde o visitante ganha um tímido desconto, pagando R$ 25,50. Logo no estacionamento, em tempos de crise econômica, a surpresa também não é boa. A organização do evento cobra R$20, o período. A boa notícia é que os visitantes que comparecerem com automóvel da marca Ford, não pagam estacionamento.

Após recuperar-se da violência econômica sofrida logo no início, o visitante pode voltar a sorrir com as primeiras amostrar do Salão. A entrada do pavilhão é destinada às empresas de modificação e equipamentos automotivos, como Falcon, Clarion e Pionner. Entre os sonhos de consumo dos amantes do tunning, destacam-se o Chevrolet Calibra inteiramente modificado pela Falcon, denominado Concept F, e o cinematográfico (literalmente) Audi A3. É nesta área, também, que se encontra o estande da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), que apresenta o roadster chamado X-20. Por meio de uma câmera sensorizada instalada no pára-brisa, o veículo promete andar sozinho, sem a intervenção do motorista.

Uma vez tele transportado para dentro do Salão, saber por onde começar não é tarefa fácil. São mais de 25 montadoras principais, que abusam da tecnologia audiovisual para chamar a atenção. Se compararmos com a edição anterior do evento, no entanto, percebe-se que a produção, no geral, era mais atraente. A Mitsubishi foi uma das poucas que conseguiu chamar a atenção do público distante do estande, com uma área bem iluminada, e um monumento composto por milhares de lâmpadas com as cores da marca. A Volksvagem também se destacou, apresentando o novo Voyage em uma espécie de carrossel elevadiço, realizando movimentos de rotação e translação na entrada do estande.

Cara nova no mercado nacional

Entre os pontos principais que merecem destaque nesta 25º edição do Salão do Automóvel estão as novidades para o mercado. Muitas montadoras acumularam suas novidades para o evento, que contou ainda com a presença ilustre da chinesa Effa e a indiana Mahindra.

Volksvagem Voyage – Com um belo desenho externo e um interior espartano que deixa a desejar, o pequeno sedã custa, a partir de, R$ 30 mil. Não é muito, em comparação aos concorrentes, mas a falta de esmero no habitáculo é reflexo de cada centavo que se deixa de pagar por ele. Neste jogo de perde e ganha, entretanto, o resultado foi positivo.

Ford Focus – Chega ao Brasil a terceira geração do Focus, sem nem, sequer, conhecermos a segunda. Isso porque, quando a segunda geração foi lançada, na Europa, a Ford brasileira optou por continuar com a versão original. Oito anos após o lançamento do primeiro Focus, em solo verde-amarelo, o modelo já estava completamente defasado, despencando nas vendas vertiginosamente. Entre reestilizar a primeira versão e trazer a terceira, lançada na Europa também este ano, a Ford optou pelo novo modelo. O resultado é um belo veículo, com linhas ousadas, conforto e acabamento de primeira.

Fiat Línea – O primo do Punto promete rivalizar com o intocável Honda New Civic (nem mais tão new assim), Toyota Corolla, Ford Fusion e etc. Na teoria, a Fiat acertou no desenho, não dando a mínima impressão de ser um “Punto sedã”, resultado de um trabalho estético mais aprofundado. Na prática, apesar do ótimo acabamento, o Línea é menor que os concorrentes, oferece menor espaço interno e não cobra menos por isso.

Honda New Fit – O bem sucedido carrinho japonês apareceu por aqui em 2003. Vendeu mais de 200 mil unidades e ganhou fama de “bom, bonito? Barato!”. Com a nova geração, o Fit ganhou mais espaço interno, mais equipamentos, e o desenho ficou mais robusto. A maior altura e linha de cintura apagaram o aspecto franzino da versão anterior, transformando-o em um carro muito atraente. Mas como nem tudo na terra dos impostos são flores, o New Fit não sai por menos de R$54 mil. Logo, o estigma da nova geração deverá ser mesmo a de “bom e bonito… Barato?”