Colocando o carro na frente dos bois

By Raphael Diegues

Tudo é muito legal, tudo é muito bonito, sem dúvida. A grande nação brasileira clama pela realização da longínqua Copa do Mundo em 2014 nas terras tupiniquins.

A idéia de ter um evento desse porte realmente seria de grande fator positivo para o desenvolvimento social da população, além da fatia nos cofres nacionais impulsionados pelo turismo.

E é certo que para a futura realização serão necessários homéricos investimentos na infra-estrutura decadente que existe atualmente no cenário nacional. Entretanto, uma grande dúvida surge neste momento: Se não aprendermos a técnica de plantar árvores de dinheiro, donde serão tirados tantos fundos para modernizar as instalações espalhadas pelo País? A Confederação Brasileira de Futebol e seu eterno presidente, Ricardo Teixeira, por acaso bancarão os custos para, por exemplo, reformar o Mane Garrincha? Ou vai auxiliar na reconstrução do Olímpico, ou Beira-Rio, ou do Morumbi, caso estes sejam realmente levados a baixo? Ou então investidores surgirão das ermas terras do velho continente atirando suas montanhas de dinheiro sem fim às contas dos organizadores?

É claro que a realização da Copa no Brasil trará inúmeros benefícios para o país, mas o buraco é mais embaixo. Quem garante que a mesma situação ocorrida ano passado com o Pan-americano, realizado no Rio, não irá se repetir em seis anos?

Teoricamente nos projetos do Pan tudo parecia perfeitamente cabível para a plenitude da realização. As obras terminariam com meses de antecedência, possibilitando diversos textos e possíveis adaptações no esquema; a orçada não ultrapassaria casas tão altas; e, os jogos entrariam para a história como os melhores já realizados em todos os tempos.

Na prática, as coisas foram um tanto diferente, e o bolso dos companheiros brasileiros teve que arcar com a festa. Faltando apenas algumas semanas para o início das celebrações, o caos estava instalado na Cidade da sétima maravilha do mundo, e o governo foi “convidado” a terminar o serviço inacabado.

Uma absurda cifra de 3,8 bilhões de reais foram gastos para construir vários elefantes-brancos espalhados pela capital fluminense, que hoje, quase um ano depois do término, várias entidades “brigam” para decidir quem tomará conta do pequeno brinquedo.

O Botafogo, por exemplo, se apoderou do Estádio João Havelange por um módico e simbólico valor; e a maioria das outras instalações, que ainda não têm seu “uso social” definido.

Pelo histórico brasileiro recente, fica claro que no final das contas o Governo Federal seria novamente convidado a intervir nas obras para a não-maculação do país na Copa, e mais uma vez, o dinheiro que poderia ser destinado para saúde, ou para a educação, será perdido com novos elefantes-brancos. Tudo é muito legal, tudo é muito bonito, mas estão colocando o carro na frente dos bois, e ninguém percebe.

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Uma resposta para “Colocando o carro na frente dos bois”

  1. Beatriz Disse:

    Pois é, Rapha. Mas é mais bonito dizer que o Brasil sediou uma Copa do Mundo, mesmo que meia boca e com um dinheiro que não tem, do que desistir do evento ligado ao chamado “esporte nacional”.

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