
Sair por aí, vidro abaixado, vento batendo no rosto, ouvindo os hits do momento… como nos comerciais de TV. Sem dúvidas, um dos maiores símbolos da prosperidade sócio-econômica no Brasil é o automóvel. De uma forma geral, hoje, ter um automóvel sinaliza um status de independência e liberdade; objetivo de conquista de grande parte da população economicamente ativa. Os mais filosóficos diriam, até, que já se tornou uma questão cultural.
Do ponto de vista mercadológico, o comércio de veículos enxergou essa tendência e passou a disparar as mais “facilitadoras” condições de pagamento possíveis. Armadilhas parceladas à parte, a questão é que a frota de veículos no Brasil já supera 44 milhões de unidades, tornando-se inevitável não esbarrar na seguinte questão: E para onde vão todos esses veículos?

Sem uma malha de circulação veicular adequada, a única certeza é que esses veículos não vão para lugar nenhum. Não por burocracia, ou por critérios de emissão de poluentes, mas sim, porque não existe mais espaço para ir e vir de carro no cenário metropolitano. Diariamente, em um final de tarde modorrento na grande São Paulo, o congestionamento pode atingir dramáticos 180 quilômetros, de acordo com dados da Companhia de Engenharia de Tráfego.
São muitos os instauradores do “caos sobre o asfalto”. Apesar da profusão de carros pelas ruas em horários de pico, é válido lembrar que a proporção de automóveis por habitante ainda é modesta, estando atrás de países como a Argentina. Isso evidencia que os congestionamentos não resultam de um número exagerado de automóveis, e sim, da ausência de um plano de desenvolvimento urbano em consonância com os índices de crescimento do País. Entre um viaduto aqui, um corredor de ônibus ali, o fato é que nada realmente eficiente foi planejado, e os brasileiros já lamentam não poder nascer com asas.

Outro ponto a ser considerado é a condição crepitante dos transportes públicos. Além das tarifas exorbitantes, o transporte público brasileiro, especialmente nas grandes cidades, é insuficiente para atender a população no pico de movimentação. Em outras palavras, o cidadão que utiliza quatro conduções de transporte público, por dia, gasta cerca de R$230 por mês. Considerando que, com R$ 300 por mês, já é possível comprar um automóvel semi-novo parcelado, o que o cidadão preferirá? Ocupar um espaço claustrofóbico de alguns centímetros quadrados em um ônibus com quase uma centena de pessoas, ou investir um pouco mais e comprar um carro. É válido ressaltar que o desinteresse pelo transporte público tem motivado, também, uma legião de trabalhadores a comprar motos, que demandam um investimento bem menor.
Estima-se que a frota de veículos cresça 17% em 2008. Logo, analisando o potencial de crescimento que o volume de automóveis ainda pode alcançar, talvez seja, realmente, mais fácil fazer com que o brasileiro nasça com asas, do que desatar o nó do tráfego brasileiro.
Tags: carro, congestionamento, crise, trânsito
Maio 6, 2008 às 12:36 pm |
O problema é que muita gente está comprando carro com a falsa ilusão de que está mais barato ou mais compensador. Apesar dessa pouca diferença entre o valor da condução com a parcela do carro, o que muita gente esquece é que não é preciso pagar só a parcela, o veículo pede combustível, óleo, água, manutenção, fora o pagamento do imposto. Além disso, esses valores baixos são cobrados quando financiados em 72 vezes. Meu Deus, quando terminar de pagar esse carro, ele já vai estar acabado.
Maio 16, 2008 às 12:43 am |
Este caos está em nossas portas, mas ficamos observando pela janela.
Como tudo na vida é passageiro, então devemos ir de trem, ônibus ou metrô, mas como somos egocêntricos queremos ir de carro.
A culpa é de quem?
A culpa é de quem?
Legião urbana.