
O Brasil pode ser palco dos mais diversos infortúnios existentes. Tantos fatores fundamentais para o trilhar de um próspero crescimento simplesmente inexistem, ou então são precários e falidos como a segurança, a saúde, e a já mencionada educação. Porventura em alguns aspectos o País seja realmente um lugar de apenas uma nota, todavia, em um quesito é preciso levar em conta a superioridade tupiniquim.
Ao menos em cada dois anos é possível, por menor que seja, sentir orgulho de vestir a camisa verde e amarela, em dias que presidentes não sabem de nada e dinheiro público desviado sai pelo ladrão.
Quando se fala de eleições por aqui, a tranqüilidade paira no semblante dos eleitores, pelo menos no que concerne aos eventos pós-votação. A escolha até pode ter sido errada, mas traduz exata e precisamente o desejo de sua população. E de maneira rápida e simples.
Enquanto isso, no lado superior do Atlântico, o mais respeitável de todos os paises entra em cataclisma toda vez que ouve essa palavra. E não é por menos. O sistema usado pelos Estados Unidos nas eleições beira à falta de lógica. Pode-se dizer que chega a ser vergonhosa a demora e falta de precisão de um pomposo País na hora de escolher seu representante. E falta de precisão essa que foi deliberadamente mostrada nas duas últimas edições, quando George W. Bush, o filho, derrotou, mesmo que de maneiras sombrias, Al Gore e John Kerry, em 2000 e quatro anos depois, respectivamente.
Não é possível afirmar que a situação se repita em novembro, e durante duas semanas os norte-americanos fiquem “sem um presidente”, seja Clinton, Obama, ou até mesmo McCain. Ainda assim, a obscuridade nas eleições americanas pode permitir saber apenas que, mais uma vez, um trabalho desnecessário tomará a cena em alguns meses.
Para se entender como funciona a escolha de seu presidente, é necessário o conhecimento de alguns fatores que explicitam neste sistema. Existem dois partidos fortes em terras americanas. De um lado os Republicanos, mais conservadores; do outro os Democratas, que nada têm a ver com o partido heterônimo brasileiro. Outros partidos menores, ou nanicos, se fazem necessários de citação, mas como o próprio nome diz, têm força quase nula no momento chave.
Como existem dois partidos, logo existem dois candidatos para concorrer à vaga na cadeira da alva casa localizada na avenida Pensilvânia. O problema está em como estes são escolhidos. Obrigatoriamente o aspirante a candidato precisa ter nascido no País, morar no mesmo há pelo menos 14 anos, e ter 35 anos no mínimo.
Tirando o trigo do joio, começam as primárias, ou seja, as eleições que escolhem os candidatos que vão concorrem nas eleições gerais de fim de ano. Para decidir quem serão os representantes, cada Estado usa sua legislação própria para estabelecer os parâmetros da decisão de voto.
Finalmente demarcados os candidatos, acontece em novembro a eleição final, mais complicada. Diferente do Brasil, o sistema adotado pelos Estados Unidos é o de Colégios Eleitorais. Em um primeiro ponto a população comum faz uma votação de acordo com suas pretensões, e em seguida uma nova eleição é feita, esta pelos chamados delegados, cargos responsáveis por apontar o vencedor naquele Estado, que não são obrigados a levar em consideração a decisão popular.
Para ganhar a eleição, o candidato deve ter a maioria dos votos feitos nos Colégios Eleitorais pelos delegados, ou ter 51% dos votos populares. Em um país de pequeno porte este sistema já seria confuso por si só. Agora, em um país com 50 Estados com suas escolhas próprias, o problema toma proporções bíblicas, visto a cada quatro anos.
Afinal, qual a necessidade em realizar uma eleição popular, se um “cartola” decide o futuro do país? E qual a necessidade em realizar uma eleição, se a escolha do povo não é necessariamente a escolhida? Deveriam simplesmente escolher um monarca para reinar nas terras do norte perpetuamente com seus asseclas.
A confusão na hora de escolher o presidente americano é tão grande, que é provável alguma informação aqui estar em discordância com os verdadeiros fatos. Entretanto, serve apenas para reforçar a tese sobre o bisonho sistema eleitoral adotado na terra do Tio Sam.
Tags: confusão, eleição, eua, internacional, sistema
Maio 18, 2008 às 4:50 am |
Você explicou muito bem o sistema eleitoral americano! Parece incrível, mas na prática ele é ainda mais complicado, nem mesmo os americanos conseguem decifrar, embora que defendam como o melhor do mundo! Coisas do Tio Sam…
Maio 18, 2008 às 8:29 pm |
Eleições dignas de um conhecido humorista brasileiro que diria: “é tudo tão estranho, não sei o que se ‘assucede’, eheheh.”
E o pior de tudo é que eles classificam essas eleições TOTALMENTE indiretas de Democracia (poder que emana do povo).