Posts de Junho, 2008

Aonde vai parar?

Junho 25, 2008

Na vida existem certos ditados que viram constantes na vida, e muitas vezes expressam a irritação popular sobre algum problema específico. Desde que o mundo é mundo ouve-se dizer que o preço de tudo sempre aumenta, menos o salário do proletariado. É assim com o pão, com o combustível e com o ingresso do jogo de futebol. Indiferentemente, a situação é a mesma com o preço do pedágio.

Publicado na edição de hoje da Folha de S. Paulo, os pedágios de todas as rodovias administradas por empresas privadas no Estado terão novo aumento, chegando em certos pontos ultrajantes 20%. Segundo a Agência de Transportes do Estado de São Paulo, órgão que concede as concessões, o aumento é um reflexo do IGP-M acumulado entre junho do ano passado e maio de 2008.

Tomando como exemplo o ponto mais caro do Estado, o sistema Anchieta-Imigrantes, que liga à capital ao litoral, o preço atual de R$ 15,40 passará a partir do primeiro dia de julho para R$ 17,00. Um aumento de 10,39%, não tão alto se comparado com outros. Ainda assim, o preço fala por ele mesmo.

Em um país onde o salário mínimo é tão irrisório, não é possível cobrar de um civil a quantia estipulada, seja por IGP-M, IPC-Fipe ou qualquer outra sigla que ninguém entende. Dezessete reais é um valor muito alto para o cidadão comum, e sem dúvida, pesa no bolso de quem precisa fazer o caminho constantemente. Ainda utilizando-se de porcentagens, este valor representa 4,09% de um salário mínimo, que poderia ser revertido para tantas outras funções mais importantes, mas não é, devido contrato firmado que possibilita um valor cada vez mais caro todos os anos.

Muito antigamente o preço do pedágio não ultrapassava dois dígitos, e por mais segura que seja a rodovia e seus custos altos para mantê-la, o preço simplesmente é alto demais. Nem tantos anos atrás, o atual candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB afirmou categoricamente pela televisão, ao vivo, que o preço do pedágio não é caro. Por mais bem centrada que seja a pessoa, tal discurso não pode servir de consolo para uma acalentada população, que a cada dia é obrigada a pagar mais e mais em taxas e contribuições infundadas.

A atual gestão do governo percebendo as constantes altas decidiu usar o IPCA como indicador para futuros contratos, e não mais o atual IGP-M. O IPCA é um número calculado pelo IBGE todo mês, que averigua a variação de preços para o público final no comércio, e considerado como índice oficial de inflação no Brasil. Será que mudará alguma coisa? O preço do pedágio será mantido, ou até mesmo decrescido? Apenas o tempo dirá, e enquanto isso, o povo paga o pato.

Caos sobre o asfalto II

Junho 23, 2008

Em um cruzamento, um automóvel A avança o sinal vermelho, batendo na lateral de outro veículo, o automóvel B. Quem estará errado? O motorista do carro A, ou as sete pessoas amontoadas dentro do carro B?
Numa outra ocasião, um outro automóvel C, com três jovens a bordo, perde o controle injustificadamente, colidindo com outro veículo, D, que estava estacionado junto à guia. A força da colisão amputou a roda traseira do veículo D.

O que estes episódios têm em comum? Todos aconteceram em uma madrugada de sábado para domingo num mesmo cruzamento na cidade de Santos, litoral de São Paulo.

Durante os dois anos, aproximadamente, observando as madrugadas no local, ocorreram cerca de 15 acidentes, entre carros e motos, com uma morte. Outro indicador importante destes acidentes é que todos foram protagonizados por jovens menores de 30 anos. A maioria visivelmente sob o efeito de drogas ou álcool. Essa observação informal conota uma realidade extremamente intrincada: a decadência do trânsito no Brasil.

De fato, quando o assunto é trânsito em solo verde-amarelo, destacar um aspecto positivo exige habilidades sobrenaturais. Do ponto de vista histórico, é válido ressaltar que o Brasil nunca recebeu uma política organizacional adequada para circulação de veículos. Se a situação já era desfavorável em meados da década de 70, com a promulgação do ilusório Código Nacional de Trânsito, hoje, com uma frota de mais de 44 milhões de veículos, a situação começa a tomar proporções insustentáveis.

Em um mar de leis contraproducentes e medidas redundantes, o processo é distorcido desde o ponto de partida: a auto-escola. O processo de aquisição de uma carteira de habilitação demora cerca de um mês, mesmo para quem acredita que “Embreagem” é nome de agência de turismo ou linhas aéreas. Além de absurdamente curto, o tempo é notoriamente mal administrado. Nas inúmeras horas dedicadas à prática dos primeiros socorros, por exemplo, a conclusão ao final do curso é que o ideal é chamar o resgate e nunca mexer na vítima.

Na prática, os instrutores, normalmente, são desprovidos de qualquer dialética de ensino. Cada aula prática demora cerca de 30 minutos, o que, de acordo com a legislação, é suficiente para um “noviço” encarar um trânsito que contabiliza mais 34 mil mortes por ano (Dados IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Isso quando o indivíduo não paga cerca de R$ 1400 e adquire sua carteira de habilitação, tipo AB (motos e carros de, até, 8 lugares), sem, sequer, freqüentar as aulas teóricas.

Depois de uma enriquecedora base, o motorista deve encarar a realidade nas ruas e estradas do País. O resultado de todo esse método revolucionário para multiplicação de inadimplência e condução insegura é o topo da lista de mortes nas ruas e rodovias brasileiras.

No front, uma das principais características do trânsito brasileiro é a desnecessidade de motocicletas trafegarem nas faixas de rolamento. Nas grandes cidades, como São Paulo, em um engarrafamento, as motos chegam a passar a mais de 100km/h entre os carros parados. Em uma medida irresponsável do governo para diminuir o fluxo de veículos nas metrópoles, no final da década de 90, os motociclistas perderam a obrigatoriedade de respeitar as faixas de circulação da pista. Hoje, além de trafegar entre as faixas de tráfego, as motocicletas circulam nas calçadas, faixas de pedestre, canteiros… Graças à conhecida lei da gravidade, felizmente, não há registros de motos circulando em tetos e paredes.

Outra característica peculiar do trânsito brasileiro é explicada por especialistas como “síndrome do mais esperto”. Nesses casos, um sinal amarelo deixa de representar “atenção” e passa a significar: “mais rápido, antes que o sinal feche!” Nas madrugadas, os semáforos e os respectivos cruzamentos são peremptoriamente ignorados, provocando alguns dos acidentes citados no começo do artigo. O período em que alguns semáforos deixam de funcionar, por segurança, é das 0h às 5h. No entanto, é muito comum encontrar motoristas cruzando arriscadamente sinais vermelhos em torno das 7h.

Isso, além de um distúrbio cultural sério, problematiza ainda mais a resolução da questão. Como afirmado pelo especialista Salomão Rabinovich, em entrevista à AT Revista, uma postura séria para melhoria das condições de trânsito no Brasil deveria abarcar um cunho cultural. Representa uma estrutura mais ampla, com fulcro voltado à escola, em um procedimento para aquisição da habilitação mais longo e intenso. De certa forma, o agravante das bebidas alcoólicas está motivando medidas mais severas, como proibição da venda em estradas federais e maior rigor na punição para condução sob efeito do álcool. Essas duas medidas, já aprovadas na Câmara, no entanto, representam uma fração ínfima das reformas necessárias para alavancar um mínimo de avanço nas questões ligadas ao trânsito.

O Trânsito – Dirija com cuidado (Foo Fighters – My Hero)
By Leonardo Aires

O peso do petróleo

Junho 11, 2008

 

 

Na última sexta-feira, dia 6 de junho, a cotação do barril atingiu seu maior valor em toda a história e comparações aos períodos de crise dos anos 70 e 80 já começam a ser traçadas.

 

Para ser ter uma idéia, o barril negociado em Nova Iorque registrou sua maior alta, em valores absolutos, em um dia de negociação: US$10,75 – muito próximo dos 140 dólares.

 

Olhando de uma perspectiva menos ampla, os números mostrados acima já são alarmantes, especialmente porque o mesmo barril era vendido a US$10, há menos de dez anos atrás.

 

Se avaliarmos a questão de um ponto de vista mais amplo, ainda há tempo para evitar uma espécie de estagflação em escala global, isto é, a recessão aliada à inflação. De acordo com uma análise do banco francês Société Génerale, em artigo do Financial Times, que realizou a análise do Peso do Óleo considerando fatores como consumo, preço e evolução do PIB mundial, observou-se que a dependência desta commodity no mundo caiu se comparada ao início dos anos 80.

 

Porém, o indicador mostra que a importância do preço do barril e seu impacto na economia mundial atingiu seu topo no período dos últimos 20 anos.

 

Enquanto os maiores consumidores começam a fazer um coro pelo aumento da produção, vemos a grande potência produtora (Arábia Saudita) dando sinais de que estaria disposta a atender a este pedido, podendo estimular a queda dos preços. Ainda assim, seria apenas uma solução de curto-prazo e possivelmente o barril não cairia para menos de US$ 100.

 

A pergunta que surge é: A partir de quando o preço do petróleo provocará complicações no cenário macroeconômico mundial? Para o peso do petróleo começar a provocar pânico o preço do barril deverá ultrapassar os US$ 190, o que já não é um cenário utópico e pode acontecer entre os próximos 6 e 24 meses, como conseqüência, se não tomadas as devidas atitudes, um cenário de ‘Crise do Petróleo, Parte 2’ poderá se desenhar.

 

Este cenário se confirmando, haverá uma pressão mundial para maior produção e fornecimento e, ao mesmo tempo, o mundo desenvolvido e seus consumidores se forçarão a tornar-se mais verdes e mais rápidas e necessárias serão as buscas por melhores e mais eficientes fontes de energia.

 

Mercado Financeiro reflete momento de tensão – O Dow Jones (E.U.A) cai mais de 9% em um ano e o FTSEurofirst-300 que mede as maiores companhias européias listadas em bolsa sofre ainda mais, com queda de 18% nas últimas 52 semanas, enquanto que a China vê seu mercado acionário mais de 40%. Mesmo assim, nem toda esperança está perdida.

 

O mundo em desenvolvimento cresce a taxas elevadas, especialmente na América Latina, capitaneada pelo Brasil e suas prováveis enormes reservas de petróleo, um alento ao mundo desenvolvido que carece de parceiros confiáveis no ocidente para o fornecimento deste insumo.

 

Inversão de Papéis – Hoje, o que se vê é a transferência dos dólares dos – outrora – ávidos consumidores americanos aos produtores de petróleo, hoje, nadando em petrodólares, que com demanda aquecida e oferta enxuta conduzem o preço do barril a níveis estratosféricos, tornando a vida do americano – e do mundo, por conseqüência – mais cara, reduzindo o consumo e estacionando a maior economia do mundo.

O elo mais fraco

Junho 9, 2008

Semana passada, logo pela manhã, foram anunciadas as quatro cidades restantes que pleiteiam a feitura dos Jogos Olímpicos de 2016. Como tendência atual, grandes cidades cosmopolitas chegaram no momento final, e a Cidade Maravilhosa está entre elas.

Não querendo remar contra a maré, como diria o popularesco ditado, a situação é extremamente semelhante ao da famigerada Copa do Mundo em 2014, onde já fora confirmado seu local de realização meses atrás.

Pressupondo que a estrutura dos Jogos Pan-Americanos do ano passado continuem em pé durante os próximos anos, é possível, com muito empenho, transformar a atual sede internacional da dengue em um recinto propício para a realização dos jogos de Zeus e sua trupe.
 
Analisando desta maneira, uma boa reforma na estrutura já construída, de estádios e complexos esportivos, é mais que fundamental, afinal, nove anos distam entre os eventos. Além disso, todo o sistema turístico demandaria ser repensado, pois a maneira cavalar de como o Rio de Janeiro é visitado, um evento deste porte não agüentaria os viajantes.
 
Não apenas isto, os complexos de transporte e saúde precisariam urgentemente de incentivos fiscais em larga escala, revitalizando os precários existentes. Isto tudo sem bater na tecla mais famosa da cidade maravilhosa, a segurança.

O anúncio feito, no mesmo momento que uma guerra civil não declarada acontece no local, aparenta ser um tapa na cara de sua população, que sofre com os deméritos sociais ocorrentes na região atualmente, atingindo o nível de temer a saída da própria casa, por risco não voltar mais.
 
Enquanto se deveria pensar em uma solução para os problemas da terra de Machado de Assis, seus governantes se abraçam na comemoração de um pseudo gracejo popular que ignora os cataclísmicos acontecimentos.

Não querendo remar contra a maré, mas a chance do Rio de Janeiro conseguir realizar os Jogos Olímpicos de 2016, com o panorama atual, é ínfima. Ainda mais quando se bate de frente com cidades do porte de Madri, Tóquio e Chicago. Claro que o Rio não deve a nenhuma delas, mas, como se sabe, a corrente sempre se arrebenta no elo mais fraco, e dessa vez, as praias de Copacabana assumem esse posto.