Aonde vai parar?

By Raphael Diegues

Na vida existem certos ditados que viram constantes na vida, e muitas vezes expressam a irritação popular sobre algum problema específico. Desde que o mundo é mundo ouve-se dizer que o preço de tudo sempre aumenta, menos o salário do proletariado. É assim com o pão, com o combustível e com o ingresso do jogo de futebol. Indiferentemente, a situação é a mesma com o preço do pedágio.

Publicado na edição de hoje da Folha de S. Paulo, os pedágios de todas as rodovias administradas por empresas privadas no Estado terão novo aumento, chegando em certos pontos ultrajantes 20%. Segundo a Agência de Transportes do Estado de São Paulo, órgão que concede as concessões, o aumento é um reflexo do IGP-M acumulado entre junho do ano passado e maio de 2008.

Tomando como exemplo o ponto mais caro do Estado, o sistema Anchieta-Imigrantes, que liga à capital ao litoral, o preço atual de R$ 15,40 passará a partir do primeiro dia de julho para R$ 17,00. Um aumento de 10,39%, não tão alto se comparado com outros. Ainda assim, o preço fala por ele mesmo.

Em um país onde o salário mínimo é tão irrisório, não é possível cobrar de um civil a quantia estipulada, seja por IGP-M, IPC-Fipe ou qualquer outra sigla que ninguém entende. Dezessete reais é um valor muito alto para o cidadão comum, e sem dúvida, pesa no bolso de quem precisa fazer o caminho constantemente. Ainda utilizando-se de porcentagens, este valor representa 4,09% de um salário mínimo, que poderia ser revertido para tantas outras funções mais importantes, mas não é, devido contrato firmado que possibilita um valor cada vez mais caro todos os anos.

Muito antigamente o preço do pedágio não ultrapassava dois dígitos, e por mais segura que seja a rodovia e seus custos altos para mantê-la, o preço simplesmente é alto demais. Nem tantos anos atrás, o atual candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB afirmou categoricamente pela televisão, ao vivo, que o preço do pedágio não é caro. Por mais bem centrada que seja a pessoa, tal discurso não pode servir de consolo para uma acalentada população, que a cada dia é obrigada a pagar mais e mais em taxas e contribuições infundadas.

A atual gestão do governo percebendo as constantes altas decidiu usar o IPCA como indicador para futuros contratos, e não mais o atual IGP-M. O IPCA é um número calculado pelo IBGE todo mês, que averigua a variação de preços para o público final no comércio, e considerado como índice oficial de inflação no Brasil. Será que mudará alguma coisa? O preço do pedágio será mantido, ou até mesmo decrescido? Apenas o tempo dirá, e enquanto isso, o povo paga o pato.

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