Posts de Julho, 2008

Quarto strike

Julho 4, 2008

Uma das mais conhecidas guerrilhas em todo o mundo, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou simplesmente FARC, sofreu nos últimos dias mais uma forte perda de seu status, com o resgate da franco-colombiana Ingrid Betancourt, e agora fica a mercê de um enfraquecimento natural.

Depois de um início de ano sofrível para o grupo, com a perda de seus três principais nomes em apenas um mês, Manuel Marulianda, Raul Reyes e Ivan Rios, a liberação de Betancourt pode ser considerado mais um fator que pode levar a ruína das FARC.

Por mais que exista uma grande simpatia por parte da população colombiana, e contar com outros 800 refens em suas mãos, os quatro baques sofridos pela guerrilha podem significar o início de uma reviravolta de sua história. Levando em consideração que paises da União Européia, e também os Estados Unidos, tomam-no por terroristas, este momento pode ser crucial para sua existência.

Ingrid Betancourt era a maior moeda de troca das FARC até então, e sua liberação repentina pode custar caro não apenas para a continuação do grupo, mas para a força perante o resto do mundo. A não ser que seja confirmado o pagamento de US$ 20 milhões para o resgate pelo governo colombiano. Desta maneira, a popularidade do presidente Uribe, que neste momento supera marcas de 90%, cairia vertiginosamente, e a força das FARC recuperar-se-ia.

Seja qual for o próximo passo do grupo, é certo apenas que este é um momento delicado para sua continuidade no futuro, e qualquer ação tomada pode levar a uma provável implosão, ou um fortalecimento estrondoso. Por que dificilmente as FARC conseguiriam sobreviver após um quinto strike.

Vendendo gato por lebre

Julho 2, 2008

Propaganda é a alma de todo negócio. Dependendo da forma de como um produto é anunciado, é possível levá-lo a um estrondoso sucesso, mas também a mais profunda ruína. A mercadoria não precisa ser necessariamente útil, ou benéfica ao comprador, bastando apenas ser vendida.

O produto em questão é promovido pelo governo estadual como um estímulo à cidadania fiscal, onde todo contribuinte pode ajudar para favorecimento próprio e do Estado. Todavia, este é mais um daqueles famosos casos onde se vende o gato pela lebre para a alentada população.

Pelo site oficial, a Nota Fiscal Paulista explica que 30% do ICMS recolhido do comerciário será revertido ao próprio consumidor em descontos na carga tributária do cidadão. Além disso, de acordo com o projeto, o consumidor terá os benefícios de “diversos tipos de utilização desses créditos; participação em sorteios; e, fortalecimento do exercício da cidadania”. Dessa maneira, com a idéia estabelecida e suas ofertas ridiculamente vagas, o governo pretende criar uma caça aos cupons fiscais, em toda e qualquer compra banal, desde o pãozinho de cada dia até aos mais caros e luxuosos itens.

Tomando sua população por ingênua e compreensiva, o governo consegue dessa maneira arrecadar mais da população, que de prontidão, e desavisada, luta a favor da grande novidade. E com isso, o comerciário e o consumidor arcam com as conseqüências da nova lei.

Arcam, pois infelizmente o governo não explica os dois lados da moeda de maneira simples, e ninguém se preocupa em ler as linhas mais miúdas da lei. Supondo que uma pessoa compre, por exemplo, um sapato novo, e peça a Nota Fiscal Paulista, a loja é obrigada a fornecer, e o cidadão recorre até o site do governo para transpor o número obtido no mesmo. Depois disso, é só esperar o irrisório desconto.

Entretanto, é preciso voltar na hora da compra. Quando você pede a nota para a loja, esta é obrigada a declarar a venda, e conseqüentemente, tem uma carga tributária mais recheada com o governo por causa disso. Pagando mais, o lucro da empresa será menor. Sendo menor, obrigatoriamente o preço daquele mesmo sapato vai aumentar, devido à manutenção da porcentagem de lucro sobre o produto. Afinal, a loja não vai simplesmente ganhar menos a bel prazer do governo. Sendo assim, da próxima vez que você comprar um sapato naquela mesma loja, o preço será outro. Mais caro, e ninguém vai saber o por quê.

Outro ponto desfavorável é o controle sobre suas finanças. Por mais panfletário e popularesco que pareça, o governo, a partir do momento em que a compra do sapato for declarada, saberá que ele foi comprado, quando foi comprado, aonde foi comprado, e por quanto foi comprado. E ai, na hora do leão, o a idéia do super desconto adquirido pela mesma Nota Fiscal Paulista cairá por terra. Pois de que adianta abatimento em uma conta que sairá maior?