
No mundo automotivo, um dos grandes mártires para o próximo passo de um modelo é a decisão entre inovação ou reestilização. No Brasil, o conceito reestilização sempre foi largamente utilizado, sendo uma saída mais barata e amplamente utilizada em países de terceiro mundo. São mudanças leves, na tentativa de atualizar um veículo, quando sua proposta, sobretudo no design, começa a apresentar sinais de desgaste ao tempo.
Nos últimos anos, no entanto, o público brasileiro tornou-se mais exigente, forçando as montadoras a trazer os modelos lançados no exterior, ao invés de “maquiar” o modelo já em fabricação.
O último exemplo disso foi o Honda New Fit, que, após lançamento no Japão, no ano passado, desembarca no Brasil, em substituição ao bem sucedido Honda Fit. De acordo com dados divulgados pela montadora, o modelo cresceu em todas as dimensões. Maior espaço interno, altura, linhas angulosas e mais robustas são perceptíveis no New Fit.
Por tratar-se de um modelo inteiramente novo, novas tecnologias puderam ser incorporadas, como freio a disco, ABS, nas quatro rodas (exceto na versão LX), air-bags laterais, acionamento de marchas por “borboletas” no volante, como opcional, entre outras.
Em contrapartida, outros modelos que receberam alterações recentemente, como Fiat Stilo, Citroën C3, Volksvagem Golf e Chevrolet Corsa, apostaram nos “retoques” para continuação da espécie. No caso do C3, as alterações homeopáticas no desenho são ineficientes em transformá-lo em um modelo atualizado. Mesmo assim, o modelo continua com uma boa oferta de equipamentos para o seguimento.
Já no Golf, por outro lado, é notável a preocupação em adaptar o máximo de alterações possíveis no desenho, sem que a importação do novo modelo europeu fosse necessária. O resultado, apesar de resultar em uma traseira pouco harmônica, agradou a muitos. Em equipamentos, contudo, não há nada que os modelos anteriores não oferecessem há dez anos atrás, exceto sensor de estacionamento.
Nesse jogo de perde e ganha, é válido lembrar que trazer um modelo inteiramente novo, reflete em um aumento significativo nos preços. A Honda ainda não informou o quanto cobrará pelo New Fit, mas outros modelos que receberam modificação total nesse ano, como o Gol, custam mais caro do que os concorrentes. Em tempos de crise econômica, é essencial analisar friamente antes de tomar uma decisão.