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Desfile de rodas

Novembro 5, 2008

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Está aberta a 25º edição do Salão Internacional do Automóvel. Até o próximo dia 8 de novembro, os amantes das máquinas (ou quem convive com um) poderão apreciar as novidades preparadas pelas montadoras no centro de convenções Anhembi Parque, em São Paulo. A equipe Cibermundo esteve no evento e mostra as novidades e atrações presentes no evento ao longo da semana.

Para quem nunca foi ao Salão do Automóvel, à primeira vista, o que surpreende é a amplitude do evento. São 170 expositores e mais de 450 veículos, em uma área de 85 mil metros quadrados. O estacionamento para o público ocupa toda a área do sambódromo Grande Otelo, que fica ao lado do centro de convenções. Entretanto, a segunda coisa que mais impressiona, à primeira vista, é o preço. O ingresso normal custa R$30 e crianças entre 5 e 12 anos pagam R$20. Os ingressos podem ser comprados também pela internet, onde o visitante ganha um tímido desconto, pagando R$ 25,50. Logo no estacionamento, em tempos de crise econômica, a surpresa também não é boa. A organização do evento cobra R$20, o período. A boa notícia é que os visitantes que comparecerem com automóvel da marca Ford, não pagam estacionamento.

Após recuperar-se da violência econômica sofrida logo no início, o visitante pode voltar a sorrir com as primeiras amostrar do Salão. A entrada do pavilhão é destinada às empresas de modificação e equipamentos automotivos, como Falcon, Clarion e Pionner. Entre os sonhos de consumo dos amantes do tunning, destacam-se o Chevrolet Calibra inteiramente modificado pela Falcon, denominado Concept F, e o cinematográfico (literalmente) Audi A3. É nesta área, também, que se encontra o estande da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), que apresenta o roadster chamado X-20. Por meio de uma câmera sensorizada instalada no pára-brisa, o veículo promete andar sozinho, sem a intervenção do motorista.

Uma vez tele transportado para dentro do Salão, saber por onde começar não é tarefa fácil. São mais de 25 montadoras principais, que abusam da tecnologia audiovisual para chamar a atenção. Se compararmos com a edição anterior do evento, no entanto, percebe-se que a produção, no geral, era mais atraente. A Mitsubishi foi uma das poucas que conseguiu chamar a atenção do público distante do estande, com uma área bem iluminada, e um monumento composto por milhares de lâmpadas com as cores da marca. A Volksvagem também se destacou, apresentando o novo Voyage em uma espécie de carrossel elevadiço, realizando movimentos de rotação e translação na entrada do estande.

Cara nova no mercado nacional

Entre os pontos principais que merecem destaque nesta 25º edição do Salão do Automóvel estão as novidades para o mercado. Muitas montadoras acumularam suas novidades para o evento, que contou ainda com a presença ilustre da chinesa Effa e a indiana Mahindra.

Volksvagem Voyage – Com um belo desenho externo e um interior espartano que deixa a desejar, o pequeno sedã custa, a partir de, R$ 30 mil. Não é muito, em comparação aos concorrentes, mas a falta de esmero no habitáculo é reflexo de cada centavo que se deixa de pagar por ele. Neste jogo de perde e ganha, entretanto, o resultado foi positivo.

Ford Focus – Chega ao Brasil a terceira geração do Focus, sem nem, sequer, conhecermos a segunda. Isso porque, quando a segunda geração foi lançada, na Europa, a Ford brasileira optou por continuar com a versão original. Oito anos após o lançamento do primeiro Focus, em solo verde-amarelo, o modelo já estava completamente defasado, despencando nas vendas vertiginosamente. Entre reestilizar a primeira versão e trazer a terceira, lançada na Europa também este ano, a Ford optou pelo novo modelo. O resultado é um belo veículo, com linhas ousadas, conforto e acabamento de primeira.

Fiat Línea – O primo do Punto promete rivalizar com o intocável Honda New Civic (nem mais tão new assim), Toyota Corolla, Ford Fusion e etc. Na teoria, a Fiat acertou no desenho, não dando a mínima impressão de ser um “Punto sedã”, resultado de um trabalho estético mais aprofundado. Na prática, apesar do ótimo acabamento, o Línea é menor que os concorrentes, oferece menor espaço interno e não cobra menos por isso.

Honda New Fit – O bem sucedido carrinho japonês apareceu por aqui em 2003. Vendeu mais de 200 mil unidades e ganhou fama de “bom, bonito? Barato!”. Com a nova geração, o Fit ganhou mais espaço interno, mais equipamentos, e o desenho ficou mais robusto. A maior altura e linha de cintura apagaram o aspecto franzino da versão anterior, transformando-o em um carro muito atraente. Mas como nem tudo na terra dos impostos são flores, o New Fit não sai por menos de R$54 mil. Logo, o estigma da nova geração deverá ser mesmo a de “bom e bonito… Barato?”

Criar ou reestilizar? Eis a questão

Outubro 24, 2008

No mundo automotivo, um dos grandes mártires para o próximo passo de um modelo é a decisão entre inovação ou reestilização. No Brasil, o conceito reestilização sempre foi largamente utilizado, sendo uma saída mais barata e amplamente utilizada em países de terceiro mundo. São mudanças leves, na tentativa de atualizar um veículo, quando sua proposta, sobretudo no design, começa a apresentar sinais de desgaste ao tempo.

Nos últimos anos, no entanto, o público brasileiro tornou-se mais exigente, forçando as montadoras a trazer os modelos lançados no exterior, ao invés de “maquiar” o modelo já em fabricação.

O último exemplo disso foi o Honda New Fit, que, após lançamento no Japão, no ano passado, desembarca no Brasil, em substituição ao bem sucedido Honda Fit. De acordo com dados divulgados pela montadora, o modelo cresceu em todas as dimensões. Maior espaço interno, altura, linhas angulosas e mais robustas são perceptíveis no New Fit.

Por tratar-se de um modelo inteiramente novo, novas tecnologias puderam ser incorporadas, como freio a disco, ABS, nas quatro rodas (exceto na versão LX), air-bags laterais, acionamento de marchas por “borboletas” no volante, como opcional, entre outras.

Em contrapartida, outros modelos que receberam alterações recentemente, como Fiat Stilo, Citroën C3, Volksvagem Golf e Chevrolet Corsa, apostaram nos “retoques” para continuação da espécie. No caso do C3, as alterações homeopáticas no desenho são ineficientes em transformá-lo em um modelo atualizado. Mesmo assim, o modelo continua com uma boa oferta de equipamentos para o seguimento.

Já no Golf, por outro lado, é notável a preocupação em adaptar o máximo de alterações possíveis no desenho, sem que a importação do novo modelo europeu fosse necessária. O resultado, apesar de resultar em uma traseira pouco harmônica, agradou a muitos. Em equipamentos, contudo, não há nada que os modelos anteriores não oferecessem há dez anos atrás, exceto sensor de estacionamento.

Nesse jogo de perde e ganha, é válido lembrar que trazer um modelo inteiramente novo, reflete em um aumento significativo nos preços. A Honda ainda não informou o quanto cobrará pelo New Fit, mas outros modelos que receberam modificação total nesse ano, como o Gol, custam mais caro do que os concorrentes. Em tempos de crise econômica, é essencial analisar friamente antes de tomar uma decisão.

A tecla SAP da crise

Outubro 17, 2008

Há pouco mais de um mês, curiosamente, os olhares do mundo voltaram-se aos pilares da economia. Com a falência do banco americano Lemann & Brothers, um dos mais tradicionais do mundo, a crise econômica, que já rondava o cenário há algum tempo, aflorou de vez e derrubou a Ibovespa a índices históricos. Mas o que é Ibovespa mesmo?

O que antes eram, apenas, porcentagens e casas depois da vírgula passaram a ser apresentados com a obviedade de uma receita de suco de laranja. Para desmistificar e transformar logarítmicos em notícia, diversos economistas invadiram os meios de comunicação, anunciando que a indústria agrobusiness e as commodities sofrerão com a crise. Agrobusiness? Commodities?

Uma vez que o telejornal não apresenta legendas e as expressões são sucedidas de preposições da língua portuguesa, o telespectador desconfia que o programa de notícias esteja mesmo em português, e que ele não mudou para o canal alemão Deustche Welle acidentalmente.

Com a Islândia sendo “levada” à leilão e milhares de milhões desaparecendo da noite para o dia ao redor do mundo, encontrar alguém que saiba o que isso realmente quer dizer, não é tarefa fácil, tanto para um cidadão comum, quanto para próprios economistas. Diante da complexidade de decodificar os índices e traçar os efeitos do turbilhão econômico, o que se vê nos meios de comunicação é mera especulação.

O resultado é a pior crise financeira, desde 1929, uma população que não entende o “economês” praticado pela mídia e economistas que não conseguem definir como o cataclisma acionário pode refletir no bolso do brasileiro. E, por enquanto, essa crise parece mesmo ter vindo sem tecla SAP.

Caos sobre o asfalto II

Junho 23, 2008

Em um cruzamento, um automóvel A avança o sinal vermelho, batendo na lateral de outro veículo, o automóvel B. Quem estará errado? O motorista do carro A, ou as sete pessoas amontoadas dentro do carro B?
Numa outra ocasião, um outro automóvel C, com três jovens a bordo, perde o controle injustificadamente, colidindo com outro veículo, D, que estava estacionado junto à guia. A força da colisão amputou a roda traseira do veículo D.

O que estes episódios têm em comum? Todos aconteceram em uma madrugada de sábado para domingo num mesmo cruzamento na cidade de Santos, litoral de São Paulo.

Durante os dois anos, aproximadamente, observando as madrugadas no local, ocorreram cerca de 15 acidentes, entre carros e motos, com uma morte. Outro indicador importante destes acidentes é que todos foram protagonizados por jovens menores de 30 anos. A maioria visivelmente sob o efeito de drogas ou álcool. Essa observação informal conota uma realidade extremamente intrincada: a decadência do trânsito no Brasil.

De fato, quando o assunto é trânsito em solo verde-amarelo, destacar um aspecto positivo exige habilidades sobrenaturais. Do ponto de vista histórico, é válido ressaltar que o Brasil nunca recebeu uma política organizacional adequada para circulação de veículos. Se a situação já era desfavorável em meados da década de 70, com a promulgação do ilusório Código Nacional de Trânsito, hoje, com uma frota de mais de 44 milhões de veículos, a situação começa a tomar proporções insustentáveis.

Em um mar de leis contraproducentes e medidas redundantes, o processo é distorcido desde o ponto de partida: a auto-escola. O processo de aquisição de uma carteira de habilitação demora cerca de um mês, mesmo para quem acredita que “Embreagem” é nome de agência de turismo ou linhas aéreas. Além de absurdamente curto, o tempo é notoriamente mal administrado. Nas inúmeras horas dedicadas à prática dos primeiros socorros, por exemplo, a conclusão ao final do curso é que o ideal é chamar o resgate e nunca mexer na vítima.

Na prática, os instrutores, normalmente, são desprovidos de qualquer dialética de ensino. Cada aula prática demora cerca de 30 minutos, o que, de acordo com a legislação, é suficiente para um “noviço” encarar um trânsito que contabiliza mais 34 mil mortes por ano (Dados IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Isso quando o indivíduo não paga cerca de R$ 1400 e adquire sua carteira de habilitação, tipo AB (motos e carros de, até, 8 lugares), sem, sequer, freqüentar as aulas teóricas.

Depois de uma enriquecedora base, o motorista deve encarar a realidade nas ruas e estradas do País. O resultado de todo esse método revolucionário para multiplicação de inadimplência e condução insegura é o topo da lista de mortes nas ruas e rodovias brasileiras.

No front, uma das principais características do trânsito brasileiro é a desnecessidade de motocicletas trafegarem nas faixas de rolamento. Nas grandes cidades, como São Paulo, em um engarrafamento, as motos chegam a passar a mais de 100km/h entre os carros parados. Em uma medida irresponsável do governo para diminuir o fluxo de veículos nas metrópoles, no final da década de 90, os motociclistas perderam a obrigatoriedade de respeitar as faixas de circulação da pista. Hoje, além de trafegar entre as faixas de tráfego, as motocicletas circulam nas calçadas, faixas de pedestre, canteiros… Graças à conhecida lei da gravidade, felizmente, não há registros de motos circulando em tetos e paredes.

Outra característica peculiar do trânsito brasileiro é explicada por especialistas como “síndrome do mais esperto”. Nesses casos, um sinal amarelo deixa de representar “atenção” e passa a significar: “mais rápido, antes que o sinal feche!” Nas madrugadas, os semáforos e os respectivos cruzamentos são peremptoriamente ignorados, provocando alguns dos acidentes citados no começo do artigo. O período em que alguns semáforos deixam de funcionar, por segurança, é das 0h às 5h. No entanto, é muito comum encontrar motoristas cruzando arriscadamente sinais vermelhos em torno das 7h.

Isso, além de um distúrbio cultural sério, problematiza ainda mais a resolução da questão. Como afirmado pelo especialista Salomão Rabinovich, em entrevista à AT Revista, uma postura séria para melhoria das condições de trânsito no Brasil deveria abarcar um cunho cultural. Representa uma estrutura mais ampla, com fulcro voltado à escola, em um procedimento para aquisição da habilitação mais longo e intenso. De certa forma, o agravante das bebidas alcoólicas está motivando medidas mais severas, como proibição da venda em estradas federais e maior rigor na punição para condução sob efeito do álcool. Essas duas medidas, já aprovadas na Câmara, no entanto, representam uma fração ínfima das reformas necessárias para alavancar um mínimo de avanço nas questões ligadas ao trânsito.

O Trânsito – Dirija com cuidado (Foo Fighters – My Hero)
By Leonardo Aires