
Existe um projeto em tramite no Brasil, e em outros paises emergentes chamado Um Laptop por Criança. Fomentado pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts, o famoso MIT, e principalmente, pelo cientista americano Nicholas Negroponte, o OLPC – sigla em inglês – não tem cunho tecnológico, tampouco tem fins-lucrativos, como explica o site do projeto, apenas tenta fazer a criança “aprender a aprender”.
A idéia de difundir um novo formato para o deficitário ensino nacional, sem dúvidas, é extremamente positiva, especialmente em um país com tantos analfabetos, e analfabetos funcionais que não tem a oportunidade de buscar por um treinamento ao menos básico para sua formação.
Com tantas reclamações acerca do pouco investimento deste precário e fundamental setor para a nação, seria impróprio palpitar contra qualquer tipo de expressão favorável à melhorias no país, promovido por um órgão federal ou não.
Entretanto, como sempre, existe um porém. E neste caso, não está na concepção da idéia proposta, e sim, na maneira de como este será desenvolvido. Pelas informações adquiridas em pesquisas feitas pela Internet, e por veículos de comunicação, o chamado laptop aparenta ser imensamente aquém dos computadores encontrados atualmente.
Utilizando-se de tecnologias próprias, desenvolvidas ou adaptadas para o projeto, são pontos positivos o uso de softwares livres de qualquer tipo de despesa; os hardwares mais baratos que o habitual; e, mesmo que esquipático à primeira vista, o carregador movido à força humana, por meio de manivela, que permitem o quase irrisório preço proposto pelo projeto.
Mais uma vez, o ponto negativo não está na tentativa de possibilitar aos que nunca tiveram uma oportunidade de ensino finalmente consegui-los, mas na idéia de tentar vender a panacéia dos problemas da educação com um projeto que provavelmente não atingirá a totalidade do território brasileiro. Ou esses laptops também chegarão aos confins do Acre?
Ao invés de tentar melhorar o ensino com um projeto que afetará apenas a vida de alguns estudantes do eixo Sul-Sudeste, porque não um investimento na falida bibliografia utilizada atualmente, ou então, programas de capacitação do corpo docente? Pois nada adianta dar um computador nas mãos de uma criança que não sabem ler, que será instruída por um professor que não sabe ensinar. Se nenhuma das partes está habilitada, como será possível “aprender a aprender”?



