Arquivo da categoria ‘Esportes’

Paixão piracicabana

Novembro 17, 2008

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O Brasil é característico por ter peculiaridades próprias. Em cada lugarzinho do território existe uma tradição, um costume ou marca idiossincrática de uma região. Sempre que se tenta lembrar de algum traço importante, vem logo a cabeça a gastronomia baiana, com seus vapatás e acarajés, ou o chimarrão e o churrasco gaúcho. Entretanto, mesmo com o desconhecimento da grande maioria, inúmeros outros pontos únicos existem, o formam o retrato do País.

No interior de São Paulo, mais especificadamente em Piracicaba, um esporte que ganha cada vez mais adeptos foi desenvolvido na própria cidade, por um morador local. Joaquim Bueno de Camargo, mais conhecido como Quim, criou o Quimbol, modalidade que funde técnicas do vôlei, tênis e futebol.

Em uma quadra com as mesmas dimensões das de vôlei, o jogador empunha uma raquete própria para o desporto, que juntamente de outros três parceiros forma um time, duelando contra outros quatro atletas noutro lado da rede.

Com regras próprias que lembram os dos esportes baseados, o Quimbol desenvolve o trabalho em equipe, que pode fazer até três toques antes de passar a bolinha, de espuma, para o outro lado.

Embora poucas pessoas conheçam, o esporte começa a tomar conhecimento de outras praças, já que esta sendo oficialmente apresentada durante os 72º Jogos Abertos do Interior, realizados na própria Piracicaba. Único esporte de raquete em equipe no mundo, o Quimbol é mais uma particularidade única e um esporte genuinamente nacional.

Vernácula banalização

Novembro 10, 2008

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Um dos símbolos pátrios mais presente na vida das pessoas e considerado um dos mais bonitos do mundo, o Hino Nacional Brasileiro está sendo assassinado semanalmente pela Federação Paulista de Futebol, que por meio de uma Lei Estadual, é obrigado a tocar o Hino em todas as praças esportivas de São Paulo.

Desrespeitados por tudo e por todos, muitas vezes tocado bem antes dos jogadores perfilarem-se no gramado, ou até mesmo cortado em plena execução, o Hino Nacional não deveria ser tão banalizado como é. E na verdade nem pode.

Pelo quinto capítulo da Lei 5.700 de 1971, que trata sobre símbolos nacionais, é obrigatório o respeito durante a execução, portando-se de pé e em silêncio. Até mais, qualquer outro tipo de gesto, como aplaudir, é proibido quando o Hino estiver tocando.

Entretanto, o que se vê durante o inicio das partidas é a destruição da representação sonora do País. Torcedores, imprensa e até os jogadores parecem não ligar para o ato. É comum ver durante as transmissões a cantoria das torcidas durante o Hino. Este que muitas vezes é tocado quando o aquecimento ocorre e a imprensa está trabalhando.

Então qual o motivo continuar com tal desacato? Mesmo sendo uma Lei, seu funcionamento mostra-se inútil perante os acontecimentos atuais. Campanhas, como a da Jovem Pan, são presentes contra a continuação da obrigatoriedade e ganham força quando os próprios profissionais do esporte, o técnico do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo, é um deles, criticam esta prática.

Fica a esperança para que manifestações deste porte repercutam por todo País e cheguem aos ouvidos dos que assinam as leis. Pois até que não seja corrigido este erro hercúleo, Joaquim e Francisco continuaram rolando em seus túmulos.

A droga chamada futebol

Novembro 7, 2008

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Era uma vem um jovem de nome João. Ou Antônio, ou José, ou Fernando. Era uma vez um jovem sem perspectivas, vivendo um dia após o outro. Sua família não dispunha de recursos para facilitar dos agouros que a vida proporcionava, e tinha como meta apenas passar de ano na escola. Certo dia o pequeno João, ou Antônio, ou José, ou Fernando, no pátio de seu colégio conheceu uma droga viciante chamada futebol, que levou o petiz a experimentá-la durantes horas, dias e anos, ocupando a maior parte do seu crescimento. Pequeno João, ou Antônio, ou José, ou Fernando percebeu com o cair das folhas sua excelência naquele vício. Tanto que seu pai, um agricultor, ou vendedor, ou lixeiro, ou professor, logo o inscreveu numa escola especial, especial para garotos viciados nesse mesmo tipo de droga.

Durante algum tempo a escola aprimorou as técnicas do já adolescente viciado, e num dia como qualquer outro disse que nada mais podia ensinar. Sorte sua que nesses anos amizades foram criadas nesta escola, como um senhor que prometeu abrir novas portas para seu futuro, levando-o para uma vida melhor. Experiência e técnica o jovem já tinha, faltava apenas essa chance de mostrar seu talento pelos quatro cantos do país.

O já não tão pequeno João, ou Antônio, ou José, ou Fernando teve sucesso em sua nova empreitada, graças à ajuda de seu suposto novo amigo. E nessa nova oportunidade ele cresceu como as árvores que seu pai plantava quando era pequeno, de tal maneira que transcendeu sua própria capacidade de praticar o vício que lhe acompanhava durante todo esse tempo. Anos após aportar nesse novo momento de vida, o suposto amigo trouxe uma nova pessoa, que falava uma língua estranha, e prometia todo o ouro de Eldorado para o talentoso rapaz. Ouro que o pequeno João, ou Antônio, ou José, ou Fernando jamais poderia ter imaginado numa vida normal sem a droga chamada futebol, que possibilitou ao pequeno garoto sem perspectivas na vida rumar novos mares. Mares que ele não conhecia. E assim foi João, ou Antônio, ou José, ou Fernando, que agarrou a única oportunidade da vida, e virou mais um no grande êxodo que existe no cenário nacional atualmente.

O elo mais fraco

Junho 9, 2008

Semana passada, logo pela manhã, foram anunciadas as quatro cidades restantes que pleiteiam a feitura dos Jogos Olímpicos de 2016. Como tendência atual, grandes cidades cosmopolitas chegaram no momento final, e a Cidade Maravilhosa está entre elas.

Não querendo remar contra a maré, como diria o popularesco ditado, a situação é extremamente semelhante ao da famigerada Copa do Mundo em 2014, onde já fora confirmado seu local de realização meses atrás.

Pressupondo que a estrutura dos Jogos Pan-Americanos do ano passado continuem em pé durante os próximos anos, é possível, com muito empenho, transformar a atual sede internacional da dengue em um recinto propício para a realização dos jogos de Zeus e sua trupe.
 
Analisando desta maneira, uma boa reforma na estrutura já construída, de estádios e complexos esportivos, é mais que fundamental, afinal, nove anos distam entre os eventos. Além disso, todo o sistema turístico demandaria ser repensado, pois a maneira cavalar de como o Rio de Janeiro é visitado, um evento deste porte não agüentaria os viajantes.
 
Não apenas isto, os complexos de transporte e saúde precisariam urgentemente de incentivos fiscais em larga escala, revitalizando os precários existentes. Isto tudo sem bater na tecla mais famosa da cidade maravilhosa, a segurança.

O anúncio feito, no mesmo momento que uma guerra civil não declarada acontece no local, aparenta ser um tapa na cara de sua população, que sofre com os deméritos sociais ocorrentes na região atualmente, atingindo o nível de temer a saída da própria casa, por risco não voltar mais.
 
Enquanto se deveria pensar em uma solução para os problemas da terra de Machado de Assis, seus governantes se abraçam na comemoração de um pseudo gracejo popular que ignora os cataclísmicos acontecimentos.

Não querendo remar contra a maré, mas a chance do Rio de Janeiro conseguir realizar os Jogos Olímpicos de 2016, com o panorama atual, é ínfima. Ainda mais quando se bate de frente com cidades do porte de Madri, Tóquio e Chicago. Claro que o Rio não deve a nenhuma delas, mas, como se sabe, a corrente sempre se arrebenta no elo mais fraco, e dessa vez, as praias de Copacabana assumem esse posto.