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Podcast#01: Trânsito nas cidades

Outubro 29, 2008

Começa hoje uma novidade no Cibermundo. Além dos habituais artigos que publicamos semanalmente por aqui, a partir de agora estreamos mais um canal de comunicação para opinar, debater e argumentar sobre os fatos e temas atuais que acontecem no mundo. Ainda sem periodicidade definida, o Cibermundo Podcast funcionará como espaço para discussões entre nossos autores e também convidados especializados sobre os assuntos em pauta.

Na primeira edição discutiremos o problema do trânsito nas cidades, com seus congestionamentos, barulho e poluição. Quem nunca teve um dia ruim nas ruas? Com a falta de infra-estrutura necessária para aportar tantos carros que existem atualmente no trânsito. A chance de sofrer um acidente ou ser assaltado a cada dia cresce mais, e o ato de dirigir parece ser uma tarefa arriscada para os mundanos habitantes.

Para ouvir basta clicar no PLAY abaixo.

Caos sobre o asfalto II

Junho 23, 2008

Em um cruzamento, um automóvel A avança o sinal vermelho, batendo na lateral de outro veículo, o automóvel B. Quem estará errado? O motorista do carro A, ou as sete pessoas amontoadas dentro do carro B?
Numa outra ocasião, um outro automóvel C, com três jovens a bordo, perde o controle injustificadamente, colidindo com outro veículo, D, que estava estacionado junto à guia. A força da colisão amputou a roda traseira do veículo D.

O que estes episódios têm em comum? Todos aconteceram em uma madrugada de sábado para domingo num mesmo cruzamento na cidade de Santos, litoral de São Paulo.

Durante os dois anos, aproximadamente, observando as madrugadas no local, ocorreram cerca de 15 acidentes, entre carros e motos, com uma morte. Outro indicador importante destes acidentes é que todos foram protagonizados por jovens menores de 30 anos. A maioria visivelmente sob o efeito de drogas ou álcool. Essa observação informal conota uma realidade extremamente intrincada: a decadência do trânsito no Brasil.

De fato, quando o assunto é trânsito em solo verde-amarelo, destacar um aspecto positivo exige habilidades sobrenaturais. Do ponto de vista histórico, é válido ressaltar que o Brasil nunca recebeu uma política organizacional adequada para circulação de veículos. Se a situação já era desfavorável em meados da década de 70, com a promulgação do ilusório Código Nacional de Trânsito, hoje, com uma frota de mais de 44 milhões de veículos, a situação começa a tomar proporções insustentáveis.

Em um mar de leis contraproducentes e medidas redundantes, o processo é distorcido desde o ponto de partida: a auto-escola. O processo de aquisição de uma carteira de habilitação demora cerca de um mês, mesmo para quem acredita que “Embreagem” é nome de agência de turismo ou linhas aéreas. Além de absurdamente curto, o tempo é notoriamente mal administrado. Nas inúmeras horas dedicadas à prática dos primeiros socorros, por exemplo, a conclusão ao final do curso é que o ideal é chamar o resgate e nunca mexer na vítima.

Na prática, os instrutores, normalmente, são desprovidos de qualquer dialética de ensino. Cada aula prática demora cerca de 30 minutos, o que, de acordo com a legislação, é suficiente para um “noviço” encarar um trânsito que contabiliza mais 34 mil mortes por ano (Dados IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Isso quando o indivíduo não paga cerca de R$ 1400 e adquire sua carteira de habilitação, tipo AB (motos e carros de, até, 8 lugares), sem, sequer, freqüentar as aulas teóricas.

Depois de uma enriquecedora base, o motorista deve encarar a realidade nas ruas e estradas do País. O resultado de todo esse método revolucionário para multiplicação de inadimplência e condução insegura é o topo da lista de mortes nas ruas e rodovias brasileiras.

No front, uma das principais características do trânsito brasileiro é a desnecessidade de motocicletas trafegarem nas faixas de rolamento. Nas grandes cidades, como São Paulo, em um engarrafamento, as motos chegam a passar a mais de 100km/h entre os carros parados. Em uma medida irresponsável do governo para diminuir o fluxo de veículos nas metrópoles, no final da década de 90, os motociclistas perderam a obrigatoriedade de respeitar as faixas de circulação da pista. Hoje, além de trafegar entre as faixas de tráfego, as motocicletas circulam nas calçadas, faixas de pedestre, canteiros… Graças à conhecida lei da gravidade, felizmente, não há registros de motos circulando em tetos e paredes.

Outra característica peculiar do trânsito brasileiro é explicada por especialistas como “síndrome do mais esperto”. Nesses casos, um sinal amarelo deixa de representar “atenção” e passa a significar: “mais rápido, antes que o sinal feche!” Nas madrugadas, os semáforos e os respectivos cruzamentos são peremptoriamente ignorados, provocando alguns dos acidentes citados no começo do artigo. O período em que alguns semáforos deixam de funcionar, por segurança, é das 0h às 5h. No entanto, é muito comum encontrar motoristas cruzando arriscadamente sinais vermelhos em torno das 7h.

Isso, além de um distúrbio cultural sério, problematiza ainda mais a resolução da questão. Como afirmado pelo especialista Salomão Rabinovich, em entrevista à AT Revista, uma postura séria para melhoria das condições de trânsito no Brasil deveria abarcar um cunho cultural. Representa uma estrutura mais ampla, com fulcro voltado à escola, em um procedimento para aquisição da habilitação mais longo e intenso. De certa forma, o agravante das bebidas alcoólicas está motivando medidas mais severas, como proibição da venda em estradas federais e maior rigor na punição para condução sob efeito do álcool. Essas duas medidas, já aprovadas na Câmara, no entanto, representam uma fração ínfima das reformas necessárias para alavancar um mínimo de avanço nas questões ligadas ao trânsito.

O Trânsito – Dirija com cuidado (Foo Fighters – My Hero)
By Leonardo Aires

Dois meses e contando

Junho 4, 2008

Há dois meses germinava a concepção de uma idéia, que como tantas outras tinha tudo para dar errado. A falta de tempo e os temas complexos eram fatores preponderantes para a curta vida deste acanhado rascunho de microuniverso que tenta se tornar.

Neste dia o Cibermundo completa dois meses de vida, desde que foi pela primeira vez trazido das cabeças de seus criadores até a partilha coletiva da internet. Nem todos os projetos ainda puderam ser postos em práticas, devido ao pouco tempo disponibilizado neste momento para este projeto.

Porém, mesmo quando o tempo é nosso inimigo, novidades estão em pauta desde já, que nos próximos meses devem fazer parte da realidade dos visitantes deste site. E visitantes estes, para a felicidade deste que vos escreve, participaram e participam ativamente com seus pontos de vista nos artigos publicados.

Então, não apenas para os criadores, mas para todos aqueles que colaboraram de alguma maneira para a fomentação deste pequeno grão que é a internet, parabéns. Parabéns pelos textos, pela paciência de lê-los, e pelos comentários pertinentes que instigaram-nos a continuar escrevendo. Que venham os próximos meses, quiçá os próximos anos, pois como fora dito no dia da criação, não existe eu no cibermundo.

Caos sobre o asfalto

Maio 5, 2008

Sair por aí, vidro abaixado, vento batendo no rosto, ouvindo os hits do momento… como nos comerciais de TV. Sem dúvidas, um dos maiores símbolos da prosperidade sócio-econômica no Brasil é o automóvel. De uma forma geral, hoje, ter um automóvel sinaliza um status de independência e liberdade; objetivo de conquista de grande parte da população economicamente ativa. Os mais filosóficos diriam, até, que já se tornou uma questão cultural.

Do ponto de vista mercadológico, o comércio de veículos enxergou essa tendência e passou a disparar as mais “facilitadoras” condições de pagamento possíveis. Armadilhas parceladas à parte, a questão é que a frota de veículos no Brasil já supera 44 milhões de unidades, tornando-se inevitável não esbarrar na seguinte questão: E para onde vão todos esses veículos?

Sem uma malha de circulação veicular adequada, a única certeza é que esses veículos não vão para lugar nenhum. Não por burocracia, ou por critérios de emissão de poluentes, mas sim, porque não existe mais espaço para ir e vir de carro no cenário metropolitano. Diariamente, em um final de tarde modorrento na grande São Paulo, o congestionamento pode atingir dramáticos 180 quilômetros, de acordo com dados da Companhia de Engenharia de Tráfego.

São muitos os instauradores do “caos sobre o asfalto”. Apesar da profusão de carros pelas ruas em horários de pico, é válido lembrar que a proporção de automóveis por habitante ainda é modesta, estando atrás de países como a Argentina. Isso evidencia que os congestionamentos não resultam de um número exagerado de automóveis, e sim, da ausência de um plano de desenvolvimento urbano em consonância com os índices de crescimento do País. Entre um viaduto aqui, um corredor de ônibus ali, o fato é que nada realmente eficiente foi planejado, e os brasileiros já lamentam não poder nascer com asas.

Outro ponto a ser considerado é a condição crepitante dos transportes públicos. Além das tarifas exorbitantes, o transporte público brasileiro, especialmente nas grandes cidades, é insuficiente para atender a população no pico de movimentação. Em outras palavras, o cidadão que utiliza quatro conduções de transporte público, por dia, gasta cerca de R$230 por mês. Considerando que, com R$ 300 por mês, já é possível comprar um automóvel semi-novo parcelado, o que o cidadão preferirá? Ocupar um espaço claustrofóbico de alguns centímetros quadrados em um ônibus com quase uma centena de pessoas, ou investir um pouco mais e comprar um carro. É válido ressaltar que o desinteresse pelo transporte público tem motivado, também, uma legião de trabalhadores a comprar motos, que demandam um investimento bem menor.

Estima-se que a frota de veículos cresça 17% em 2008. Logo, analisando o potencial de crescimento que o volume de automóveis ainda pode alcançar, talvez seja, realmente, mais fácil fazer com que o brasileiro nasça com asas, do que desatar o nó do tráfego brasileiro.