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Banco Imobiliário

Outubro 20, 2008

Dizem que o mundo está acabando, e a crise atual é pior que 1929. Talvez estejam certos, talvez não. Decerto o problema neste momento aponta não apenas para seu país originário, como também se expande para outras regiões do globo.

No Brasil, por exemplo, a gangorra da Bovespa nas últimas semanas deixou investidores, tanto os profissionais como os que fazem por hobby, de cabelos em pé, por não manter uma regularidade, positiva ou não.

E por incrível que pareça, a crise não atingiu apenas a terra de Macunaíma, como normalmente ocorre. Paises ricos, de primeiro mundo também sofreram os impactos do caos financeiro gerados nos Estados Unidos. A Islândia, por exemplo, passada as primeiras semanas, está praticamente sendo vendida no Mercado Livre. Fazia tempo que bolsas européias não despencavam tanto como agora. Em especial a bolsa Micex, da Rússia, que apanhou vergonhosamente até não agüentar mais a volatilidade da crise.

Passada momentaneamente, depois da história dos 700 bilhoes de dólares para apaziguar a situação, e as últimas reuniões dos G7 e G20, o mundo parece respirar mais calmo, ao menos nesta semana. A falta de regularidade das bolsas de valores faz com que até os mais ávidos jogadores de Banco Imobiliário acanhem-se perante a situação. 

Pois ninguém pode afirmar que o problema passou, e agora tudo voltou ao normal. Ninguém imaginava que o que aconteceu poderia ter acontecido. E aconteceu. Então, se o dinheiro aplicado e os encontros dos homens mais poderosos do mundo não surtirem efeitos, é melhor que estejam preparados para vender seus hotéis de volta para o banco.

A tecla SAP da crise

Outubro 17, 2008

Há pouco mais de um mês, curiosamente, os olhares do mundo voltaram-se aos pilares da economia. Com a falência do banco americano Lemann & Brothers, um dos mais tradicionais do mundo, a crise econômica, que já rondava o cenário há algum tempo, aflorou de vez e derrubou a Ibovespa a índices históricos. Mas o que é Ibovespa mesmo?

O que antes eram, apenas, porcentagens e casas depois da vírgula passaram a ser apresentados com a obviedade de uma receita de suco de laranja. Para desmistificar e transformar logarítmicos em notícia, diversos economistas invadiram os meios de comunicação, anunciando que a indústria agrobusiness e as commodities sofrerão com a crise. Agrobusiness? Commodities?

Uma vez que o telejornal não apresenta legendas e as expressões são sucedidas de preposições da língua portuguesa, o telespectador desconfia que o programa de notícias esteja mesmo em português, e que ele não mudou para o canal alemão Deustche Welle acidentalmente.

Com a Islândia sendo “levada” à leilão e milhares de milhões desaparecendo da noite para o dia ao redor do mundo, encontrar alguém que saiba o que isso realmente quer dizer, não é tarefa fácil, tanto para um cidadão comum, quanto para próprios economistas. Diante da complexidade de decodificar os índices e traçar os efeitos do turbilhão econômico, o que se vê nos meios de comunicação é mera especulação.

O resultado é a pior crise financeira, desde 1929, uma população que não entende o “economês” praticado pela mídia e economistas que não conseguem definir como o cataclisma acionário pode refletir no bolso do brasileiro. E, por enquanto, essa crise parece mesmo ter vindo sem tecla SAP.