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Paixão piracicabana

Novembro 17, 2008

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O Brasil é característico por ter peculiaridades próprias. Em cada lugarzinho do território existe uma tradição, um costume ou marca idiossincrática de uma região. Sempre que se tenta lembrar de algum traço importante, vem logo a cabeça a gastronomia baiana, com seus vapatás e acarajés, ou o chimarrão e o churrasco gaúcho. Entretanto, mesmo com o desconhecimento da grande maioria, inúmeros outros pontos únicos existem, o formam o retrato do País.

No interior de São Paulo, mais especificadamente em Piracicaba, um esporte que ganha cada vez mais adeptos foi desenvolvido na própria cidade, por um morador local. Joaquim Bueno de Camargo, mais conhecido como Quim, criou o Quimbol, modalidade que funde técnicas do vôlei, tênis e futebol.

Em uma quadra com as mesmas dimensões das de vôlei, o jogador empunha uma raquete própria para o desporto, que juntamente de outros três parceiros forma um time, duelando contra outros quatro atletas noutro lado da rede.

Com regras próprias que lembram os dos esportes baseados, o Quimbol desenvolve o trabalho em equipe, que pode fazer até três toques antes de passar a bolinha, de espuma, para o outro lado.

Embora poucas pessoas conheçam, o esporte começa a tomar conhecimento de outras praças, já que esta sendo oficialmente apresentada durante os 72º Jogos Abertos do Interior, realizados na própria Piracicaba. Único esporte de raquete em equipe no mundo, o Quimbol é mais uma particularidade única e um esporte genuinamente nacional.

Vendendo gato por lebre

Julho 2, 2008

Propaganda é a alma de todo negócio. Dependendo da forma de como um produto é anunciado, é possível levá-lo a um estrondoso sucesso, mas também a mais profunda ruína. A mercadoria não precisa ser necessariamente útil, ou benéfica ao comprador, bastando apenas ser vendida.

O produto em questão é promovido pelo governo estadual como um estímulo à cidadania fiscal, onde todo contribuinte pode ajudar para favorecimento próprio e do Estado. Todavia, este é mais um daqueles famosos casos onde se vende o gato pela lebre para a alentada população.

Pelo site oficial, a Nota Fiscal Paulista explica que 30% do ICMS recolhido do comerciário será revertido ao próprio consumidor em descontos na carga tributária do cidadão. Além disso, de acordo com o projeto, o consumidor terá os benefícios de “diversos tipos de utilização desses créditos; participação em sorteios; e, fortalecimento do exercício da cidadania”. Dessa maneira, com a idéia estabelecida e suas ofertas ridiculamente vagas, o governo pretende criar uma caça aos cupons fiscais, em toda e qualquer compra banal, desde o pãozinho de cada dia até aos mais caros e luxuosos itens.

Tomando sua população por ingênua e compreensiva, o governo consegue dessa maneira arrecadar mais da população, que de prontidão, e desavisada, luta a favor da grande novidade. E com isso, o comerciário e o consumidor arcam com as conseqüências da nova lei.

Arcam, pois infelizmente o governo não explica os dois lados da moeda de maneira simples, e ninguém se preocupa em ler as linhas mais miúdas da lei. Supondo que uma pessoa compre, por exemplo, um sapato novo, e peça a Nota Fiscal Paulista, a loja é obrigada a fornecer, e o cidadão recorre até o site do governo para transpor o número obtido no mesmo. Depois disso, é só esperar o irrisório desconto.

Entretanto, é preciso voltar na hora da compra. Quando você pede a nota para a loja, esta é obrigada a declarar a venda, e conseqüentemente, tem uma carga tributária mais recheada com o governo por causa disso. Pagando mais, o lucro da empresa será menor. Sendo menor, obrigatoriamente o preço daquele mesmo sapato vai aumentar, devido à manutenção da porcentagem de lucro sobre o produto. Afinal, a loja não vai simplesmente ganhar menos a bel prazer do governo. Sendo assim, da próxima vez que você comprar um sapato naquela mesma loja, o preço será outro. Mais caro, e ninguém vai saber o por quê.

Outro ponto desfavorável é o controle sobre suas finanças. Por mais panfletário e popularesco que pareça, o governo, a partir do momento em que a compra do sapato for declarada, saberá que ele foi comprado, quando foi comprado, aonde foi comprado, e por quanto foi comprado. E ai, na hora do leão, o a idéia do super desconto adquirido pela mesma Nota Fiscal Paulista cairá por terra. Pois de que adianta abatimento em uma conta que sairá maior?

Aonde vai parar?

Junho 25, 2008

Na vida existem certos ditados que viram constantes na vida, e muitas vezes expressam a irritação popular sobre algum problema específico. Desde que o mundo é mundo ouve-se dizer que o preço de tudo sempre aumenta, menos o salário do proletariado. É assim com o pão, com o combustível e com o ingresso do jogo de futebol. Indiferentemente, a situação é a mesma com o preço do pedágio.

Publicado na edição de hoje da Folha de S. Paulo, os pedágios de todas as rodovias administradas por empresas privadas no Estado terão novo aumento, chegando em certos pontos ultrajantes 20%. Segundo a Agência de Transportes do Estado de São Paulo, órgão que concede as concessões, o aumento é um reflexo do IGP-M acumulado entre junho do ano passado e maio de 2008.

Tomando como exemplo o ponto mais caro do Estado, o sistema Anchieta-Imigrantes, que liga à capital ao litoral, o preço atual de R$ 15,40 passará a partir do primeiro dia de julho para R$ 17,00. Um aumento de 10,39%, não tão alto se comparado com outros. Ainda assim, o preço fala por ele mesmo.

Em um país onde o salário mínimo é tão irrisório, não é possível cobrar de um civil a quantia estipulada, seja por IGP-M, IPC-Fipe ou qualquer outra sigla que ninguém entende. Dezessete reais é um valor muito alto para o cidadão comum, e sem dúvida, pesa no bolso de quem precisa fazer o caminho constantemente. Ainda utilizando-se de porcentagens, este valor representa 4,09% de um salário mínimo, que poderia ser revertido para tantas outras funções mais importantes, mas não é, devido contrato firmado que possibilita um valor cada vez mais caro todos os anos.

Muito antigamente o preço do pedágio não ultrapassava dois dígitos, e por mais segura que seja a rodovia e seus custos altos para mantê-la, o preço simplesmente é alto demais. Nem tantos anos atrás, o atual candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB afirmou categoricamente pela televisão, ao vivo, que o preço do pedágio não é caro. Por mais bem centrada que seja a pessoa, tal discurso não pode servir de consolo para uma acalentada população, que a cada dia é obrigada a pagar mais e mais em taxas e contribuições infundadas.

A atual gestão do governo percebendo as constantes altas decidiu usar o IPCA como indicador para futuros contratos, e não mais o atual IGP-M. O IPCA é um número calculado pelo IBGE todo mês, que averigua a variação de preços para o público final no comércio, e considerado como índice oficial de inflação no Brasil. Será que mudará alguma coisa? O preço do pedágio será mantido, ou até mesmo decrescido? Apenas o tempo dirá, e enquanto isso, o povo paga o pato.

A Amazônia é nossa

Maio 26, 2008

Ao procurar na internet por Amazônia, é muito comum encontrar várias imagens de livros americanos onde a Floresta é tida como reserva internacional, propriedade do mundo. Apesar da famigerada lenda urbana, sempre existiu o temor de alguém tentar dominar o pulmão do mundo para si.

Uma primeira citação oficial sobre o assunto saiu outro dia, quando fora publicado no famoso New York Times uma reportagem onde se perguntava de quem era este território, já que muitos paises, mesmo que nas entrelinhas, expressavam a idéia da Floresta pertencer a algo maior que as bordas nacionais.

Essa idéia, em condições normais, poderia ser levada em consideração, se por acaso, fosse levada em consideração a opinião sobre o dono da terra, no caso, o Brasil. Caso existisse consenso em relação à Amazônia, propondo uma melhoria internacional que abrangesse todos os paises, não teria problema nenhum.

Todavia, exemplificando, é a mesma coisa que alguém bata em sua porta e queira tomar posse da sala, por puro e simples capricho próprio. De um dia para o outro, toda a geografia da casa mudaria apenas para satisfazer a vontade de um estranho.

Como a opinião brasileira não foi levada em conta, é completamente infundada a idéia de dividir com o resto do mundo uma parte do território nacional a bel prazer de alguns lideres internacionais. Pois caso contrário, diversas outras partes do mundo também deveriam ser dividias igualmente. E é provável que não gostariam de dividir Manhattan, ou a Praça Vermelha.

A primeira opinião fundada sobre o assunto foi proclamada pelo atual presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, que apesar de suas incongruências, foi enfático ao responder ao periódico que a Amazônia tem dono. E tem mesmo, porque a Amazônia é nossa.