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A hora da verdade

Novembro 3, 2008

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Em 24 horas o mundo descobrirá o curso dos próximos quatro anos. Amanhã é o fatídico dia para Barack Obama e John McCain, que se enfrentam no derradeiro embate pela cadeira de George W. Bush, o atual mandatário.

De um lado, um sobrevivente de guerra que teve a difícil tarefa em sua campanha de fazer o povo norte-americano esquecer do atual presidente e dar uma nova chance ao partido republicano. No outro lado, um pioneiro que tenta escrever seu nome na história, ao se tornar o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos da América.

Ambos os candidatos possuem fortes raízes na política americana, cada um de seu lado. Obama, o senador de Illinois derrotou primeiramente Clinton, naquela que para alguns ocupou o lugar da verdadeira eleição, tem o forte apoio da mídia e celebridades que difundem a idéia de votar a favor do candidato democrata. É fácil ver quase que semanalmente mensagens de apoio vindo de formadores de opinião norte-americanos, sejam escritores, atores, cantores e apresentadores.

McCain, por sua vez, o veterano da combalida guerra do Vietnã, e senador pelo estado do Arizona dês 1987, aparentemente não possui o mesmo apelo popular que seu algoz, tampouco o auxílio midiático de Obama. Além disso, o republicano possui ainda o fardo do desastroso governo de Bush, que diariamente consegue provar a teoria em que as coisas nunca estão tão ruins que não podem piorar.

A própria mídia em certos casos parece ter perdido o senso da imparcialidade, tal o apoio explicito por um ou outro candidato. A forma tendenciosa e abusiva de alguns veículos fica tão claro que pesquisas feitas em diversos estados do país comprovam a falta de seriedade por parte da população na cobertura das eleições deste ano.

Em estudo realizado pela Universidade de Harvard e o Grupo Merriam River, 62% dos entrevistados afirmam desconfiar da cobertura feita pela mídia. Na mesma pesquisa, foi revelado outros indicadores que demonstram a falta de austeridade dos meios de informação norte-americano. Para 77% dos americanos que responderam a pesquisa, a mídia retrata de maneira politicamente preconceituosa, enquanto 82% afirmam que a mídia influência diretamente na hora do voto.

Mesmo com o apoio de grandes veículos tradicionais para ambos os lados, McCain com a Fox e Obama com o New York Times, a própria população conhece as diferenças, os defeitos e os pontos positivos dos dois candidatos. Na esfera econômica, internacional ou na própria política interna, os postulantes apresentam suas próprias ideologias partidárias e pessoais, e durante os próximos quatro anos o senador que vencer tem como objetivo primário recolocar nos eixos um império que caiu perante a inépcia de um governante.

Seja qual for a opção do povo amanhã, é certo que uma escolha errada neste momento pode colocar a última pá de areia no cenário atual. Ganhe um ou ganhe o outro, o povo norte-americano tem como alento a tranqüilidade de saber que os dias da família Bush estão contatos na alva casa de uma vez por todas, e o rumo do mundo poderá, com seu novo presidente, voltar ao normal.

O elo mais fraco

Junho 9, 2008

Semana passada, logo pela manhã, foram anunciadas as quatro cidades restantes que pleiteiam a feitura dos Jogos Olímpicos de 2016. Como tendência atual, grandes cidades cosmopolitas chegaram no momento final, e a Cidade Maravilhosa está entre elas.

Não querendo remar contra a maré, como diria o popularesco ditado, a situação é extremamente semelhante ao da famigerada Copa do Mundo em 2014, onde já fora confirmado seu local de realização meses atrás.

Pressupondo que a estrutura dos Jogos Pan-Americanos do ano passado continuem em pé durante os próximos anos, é possível, com muito empenho, transformar a atual sede internacional da dengue em um recinto propício para a realização dos jogos de Zeus e sua trupe.
 
Analisando desta maneira, uma boa reforma na estrutura já construída, de estádios e complexos esportivos, é mais que fundamental, afinal, nove anos distam entre os eventos. Além disso, todo o sistema turístico demandaria ser repensado, pois a maneira cavalar de como o Rio de Janeiro é visitado, um evento deste porte não agüentaria os viajantes.
 
Não apenas isto, os complexos de transporte e saúde precisariam urgentemente de incentivos fiscais em larga escala, revitalizando os precários existentes. Isto tudo sem bater na tecla mais famosa da cidade maravilhosa, a segurança.

O anúncio feito, no mesmo momento que uma guerra civil não declarada acontece no local, aparenta ser um tapa na cara de sua população, que sofre com os deméritos sociais ocorrentes na região atualmente, atingindo o nível de temer a saída da própria casa, por risco não voltar mais.
 
Enquanto se deveria pensar em uma solução para os problemas da terra de Machado de Assis, seus governantes se abraçam na comemoração de um pseudo gracejo popular que ignora os cataclísmicos acontecimentos.

Não querendo remar contra a maré, mas a chance do Rio de Janeiro conseguir realizar os Jogos Olímpicos de 2016, com o panorama atual, é ínfima. Ainda mais quando se bate de frente com cidades do porte de Madri, Tóquio e Chicago. Claro que o Rio não deve a nenhuma delas, mas, como se sabe, a corrente sempre se arrebenta no elo mais fraco, e dessa vez, as praias de Copacabana assumem esse posto.

A grande e confusa escolha

Maio 16, 2008

O Brasil pode ser palco dos mais diversos infortúnios existentes. Tantos fatores fundamentais para o trilhar de um próspero crescimento simplesmente inexistem, ou então são precários e falidos como a segurança, a saúde, e a já mencionada educação. Porventura em alguns aspectos o País seja realmente um lugar de apenas uma nota, todavia, em um quesito é preciso levar em conta a superioridade tupiniquim.

Ao menos em cada dois anos é possível, por menor que seja, sentir orgulho de vestir a camisa verde e amarela, em dias que presidentes não sabem de nada e dinheiro público desviado sai pelo ladrão.

Quando se fala de eleições por aqui, a tranqüilidade paira no semblante dos eleitores, pelo menos no que concerne aos eventos pós-votação. A escolha até pode ter sido errada, mas traduz exata e precisamente o desejo de sua população. E de maneira rápida e simples.

Enquanto isso, no lado superior do Atlântico, o mais respeitável de todos os paises entra em cataclisma toda vez que ouve essa palavra. E não é por menos. O sistema usado pelos Estados Unidos nas eleições beira à falta de lógica. Pode-se dizer que chega a ser vergonhosa a demora e falta de precisão de um pomposo País na hora de escolher seu representante. E falta de precisão essa que foi deliberadamente mostrada nas duas últimas edições, quando George W. Bush, o filho, derrotou, mesmo que de maneiras sombrias, Al Gore e John Kerry, em 2000 e quatro anos depois, respectivamente.

Não é possível afirmar que a situação se repita em novembro, e durante duas semanas os norte-americanos fiquem “sem um presidente”, seja Clinton, Obama, ou até mesmo McCain. Ainda assim, a obscuridade nas eleições americanas pode permitir saber apenas que, mais uma vez, um trabalho desnecessário tomará a cena em alguns meses.

Para se entender como funciona a escolha de seu presidente, é necessário o conhecimento de alguns fatores que explicitam neste sistema. Existem dois partidos fortes em terras americanas. De um lado os Republicanos, mais conservadores; do outro os Democratas, que nada têm a ver com o partido heterônimo brasileiro. Outros partidos menores, ou nanicos, se fazem necessários de citação, mas como o próprio nome diz, têm força quase nula no momento chave.

Como existem dois partidos, logo existem dois candidatos para concorrer à vaga na cadeira da alva casa localizada na avenida Pensilvânia. O problema está em como estes são escolhidos. Obrigatoriamente o aspirante a candidato precisa ter nascido no País, morar no mesmo há pelo menos 14 anos, e ter 35 anos no mínimo.

Tirando o trigo do joio, começam as primárias, ou seja, as eleições que escolhem os candidatos que vão concorrem nas eleições gerais de fim de ano. Para decidir quem serão os representantes, cada Estado usa sua legislação própria para estabelecer os parâmetros da decisão de voto.
 
Finalmente demarcados os candidatos, acontece em novembro a eleição final, mais complicada. Diferente do Brasil, o sistema adotado pelos Estados Unidos é o de Colégios Eleitorais. Em um primeiro ponto a população comum faz uma votação de acordo com suas pretensões, e em seguida uma nova eleição é feita, esta pelos chamados delegados, cargos responsáveis por apontar o vencedor naquele Estado, que não são obrigados a levar em consideração a decisão popular.

Para ganhar a eleição, o candidato deve ter a maioria dos votos feitos nos Colégios Eleitorais pelos delegados, ou ter 51% dos votos populares. Em um país de pequeno porte este sistema já seria confuso por si só. Agora, em um país com 50 Estados com suas escolhas próprias, o problema toma proporções bíblicas, visto a cada quatro anos.

Afinal, qual a necessidade em realizar uma eleição popular, se um “cartola” decide o futuro do país? E qual a necessidade em realizar uma eleição, se a escolha do povo não é necessariamente a escolhida? Deveriam simplesmente escolher um monarca para reinar nas terras do norte perpetuamente com seus asseclas.

A confusão na hora de escolher o presidente americano é tão grande, que é provável alguma informação aqui estar em discordância com os verdadeiros fatos. Entretanto, serve apenas para reforçar a tese sobre o bisonho sistema eleitoral adotado na terra do Tio Sam.