
Tida com um dos provérbios mais populares da mitologia grega, a Fênix é um pássaro que, quando morria, entrava em autocombustão. Após algum tempo, ressurgia das cinzas para o vôo mais lindo que se tenha conhecimento…
Diferentemente dos gregos, no entanto, o único “épico” que os brasileiros vão assistir ressurgir das cinzas é a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
Enquanto um simboliza a esperança e continuidade da vida, o outro não sinaliza nada além de um Estado carcomido pelos impostos. O mais novo tributo do cenário nacional, se aprovado, reencarnará com o nome artístico de Contribuição Social para a Saúde, ou CSS. Em entrevista ao Estado de S. Paulo, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou que a tributação tem grandes chances de ser aprovada pelos senadores.
Buscando no velho testamento da política nacional, a CPMF nasceu em meados de 1997, como uma intenção de direcionar tributos à área da saúde. Seu legado, mantido por aprovações anuais na câmara, durou até o final de 2007, quando não conseguiu reunir o mínimo de 49 votos do senado. Como uma gota d’água no semi-árido bolso do brasileiro, a CPMF parecia mesmo ter chegado ao seu final.
Parecia…
Evidentemente, o perecimento do imposto não saiu de graça ao bolso do contribuinte, refletindo na elevação da carga tributária para uma “virtual” equalização dos encargos resultantes. Ou seja, mesmo com a alíquota de 0,1% do CSS, menor do que os 0,38% do antigo CPMF, o brasileiro não colherá os benefícios porque, simplesmente, a diferença já havia sido compensada através de outros tributos.
De fato, a mitologia tributária nacional é tão vasta que o brasileiro nem sabe mais de onde vêm tantos desfalques ao final de cada mês. Contando as cinzas da CPMF, são 74 impostos com particularidades que se confundem e se misturam em uma redundância absurdamente folclórica. De acordo com dados do Instituto de Planejamento Tributário, neste ano, o brasileiro teve de trabalhar 148 dias para pagar a resultante do poder de todos esses “seres” míticos.
Enquanto por detrás da polêmica da implantação da CSS, petistas e tucanos digladiam-se, pleiteando votos e arrecadações, respectivamente, a única certeza que o contribuinte terá é que, de seu salário, só sobrarão mesmo as cinzas.



