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Sombras do passado

Outubro 11, 2008

Não existe pessoa no mundo que poderia imaginar, seis anos atrás, que o curso da história tomaria meandros tão abruptos como foram tomados. Onze de setembro de 2001 amanheceu como qualquer outro dia ordinário, e quando o sol se pôs, a importância que havia imposto na história transcendia seu próprio espaço temporal. Foram às 24 horas mais demoradas do início do século XXI, tanto para as pessoas que viam pela mídia, quanto pelas pessoas que presenciavam o acontecimento.

Indubitavelmente a catástrofe permeou a mente de toda a população global, já que eventos como o ocorrido são assuntos referentes apenas a livros de história. Porém, não é possível julgar o ocorrido apenas com fatos empíricos. Afinal, até hoje não se sabe a razão do porque em atacar os arranha-céus norte-americanos, nem quem propriamente atacou.

Decorrente dos famigerados ataques novas ações foram tomadas, como o boom do antraz, a alta do petróleo que dura até hoje, e as tomadas de Afeganistão e Iraque, que se transformaram em novos Vietnans, onde o próprio inflado ego estadunidense impede que mais pessoas deixem de morrer numa batalha que já nasceu perdida.

Diante de tal perspectiva até mesmo parte da população vitimada clama pelo fim desse genocídio meticulosamente planejado por forças ocultas, mesmo que suas vozes não transponham os desejos e interesses dos realizadores dessa guerra sem fundamento. Fundamentos suprajugados pelos que sentiram no próprio cerne a dor da impotência imposta pelos eventos cataclísmicos que marcaram eternamente na história o onze de setembro.

Não existe pessoa no mundo que poderia imaginar, seis anos atrás, que o curso da história tomaria meandros tão abruptos como foram tomados. Não existe pessoa no mundo, salvo um pseudo-estrategista que tenta manipular o curso do mundo dentro da sala de sua alva residência.

Artigo escrito originalmente em 11/9/7

Caos sobre o asfalto II

Junho 23, 2008

Em um cruzamento, um automóvel A avança o sinal vermelho, batendo na lateral de outro veículo, o automóvel B. Quem estará errado? O motorista do carro A, ou as sete pessoas amontoadas dentro do carro B?
Numa outra ocasião, um outro automóvel C, com três jovens a bordo, perde o controle injustificadamente, colidindo com outro veículo, D, que estava estacionado junto à guia. A força da colisão amputou a roda traseira do veículo D.

O que estes episódios têm em comum? Todos aconteceram em uma madrugada de sábado para domingo num mesmo cruzamento na cidade de Santos, litoral de São Paulo.

Durante os dois anos, aproximadamente, observando as madrugadas no local, ocorreram cerca de 15 acidentes, entre carros e motos, com uma morte. Outro indicador importante destes acidentes é que todos foram protagonizados por jovens menores de 30 anos. A maioria visivelmente sob o efeito de drogas ou álcool. Essa observação informal conota uma realidade extremamente intrincada: a decadência do trânsito no Brasil.

De fato, quando o assunto é trânsito em solo verde-amarelo, destacar um aspecto positivo exige habilidades sobrenaturais. Do ponto de vista histórico, é válido ressaltar que o Brasil nunca recebeu uma política organizacional adequada para circulação de veículos. Se a situação já era desfavorável em meados da década de 70, com a promulgação do ilusório Código Nacional de Trânsito, hoje, com uma frota de mais de 44 milhões de veículos, a situação começa a tomar proporções insustentáveis.

Em um mar de leis contraproducentes e medidas redundantes, o processo é distorcido desde o ponto de partida: a auto-escola. O processo de aquisição de uma carteira de habilitação demora cerca de um mês, mesmo para quem acredita que “Embreagem” é nome de agência de turismo ou linhas aéreas. Além de absurdamente curto, o tempo é notoriamente mal administrado. Nas inúmeras horas dedicadas à prática dos primeiros socorros, por exemplo, a conclusão ao final do curso é que o ideal é chamar o resgate e nunca mexer na vítima.

Na prática, os instrutores, normalmente, são desprovidos de qualquer dialética de ensino. Cada aula prática demora cerca de 30 minutos, o que, de acordo com a legislação, é suficiente para um “noviço” encarar um trânsito que contabiliza mais 34 mil mortes por ano (Dados IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Isso quando o indivíduo não paga cerca de R$ 1400 e adquire sua carteira de habilitação, tipo AB (motos e carros de, até, 8 lugares), sem, sequer, freqüentar as aulas teóricas.

Depois de uma enriquecedora base, o motorista deve encarar a realidade nas ruas e estradas do País. O resultado de todo esse método revolucionário para multiplicação de inadimplência e condução insegura é o topo da lista de mortes nas ruas e rodovias brasileiras.

No front, uma das principais características do trânsito brasileiro é a desnecessidade de motocicletas trafegarem nas faixas de rolamento. Nas grandes cidades, como São Paulo, em um engarrafamento, as motos chegam a passar a mais de 100km/h entre os carros parados. Em uma medida irresponsável do governo para diminuir o fluxo de veículos nas metrópoles, no final da década de 90, os motociclistas perderam a obrigatoriedade de respeitar as faixas de circulação da pista. Hoje, além de trafegar entre as faixas de tráfego, as motocicletas circulam nas calçadas, faixas de pedestre, canteiros… Graças à conhecida lei da gravidade, felizmente, não há registros de motos circulando em tetos e paredes.

Outra característica peculiar do trânsito brasileiro é explicada por especialistas como “síndrome do mais esperto”. Nesses casos, um sinal amarelo deixa de representar “atenção” e passa a significar: “mais rápido, antes que o sinal feche!” Nas madrugadas, os semáforos e os respectivos cruzamentos são peremptoriamente ignorados, provocando alguns dos acidentes citados no começo do artigo. O período em que alguns semáforos deixam de funcionar, por segurança, é das 0h às 5h. No entanto, é muito comum encontrar motoristas cruzando arriscadamente sinais vermelhos em torno das 7h.

Isso, além de um distúrbio cultural sério, problematiza ainda mais a resolução da questão. Como afirmado pelo especialista Salomão Rabinovich, em entrevista à AT Revista, uma postura séria para melhoria das condições de trânsito no Brasil deveria abarcar um cunho cultural. Representa uma estrutura mais ampla, com fulcro voltado à escola, em um procedimento para aquisição da habilitação mais longo e intenso. De certa forma, o agravante das bebidas alcoólicas está motivando medidas mais severas, como proibição da venda em estradas federais e maior rigor na punição para condução sob efeito do álcool. Essas duas medidas, já aprovadas na Câmara, no entanto, representam uma fração ínfima das reformas necessárias para alavancar um mínimo de avanço nas questões ligadas ao trânsito.

O Trânsito – Dirija com cuidado (Foo Fighters – My Hero)
By Leonardo Aires

Pisando em cacos de vidro

Abril 5, 2008

 

Diz um adágio que precisamos tomar cuidado onde pisamos. E isto vale para tudo, e para todos. O poder da informação para muitos está aquém do que realmente representa, inclusive para alguns colegas da imprensa.

No foco de todos os veículos de comunicação desde a última semana, o caso da jovem Isabella chocou todo o país com a infelicidade acontecida. Encontrada ainda viva no jardim do prédio onde morava, a menina não resistiu após os cuidados médicos iniciais.

É uma verdade indubitável a necessidade em divulgar e informar tal tragédia a toda população nacional, porém, deve-se tomar cuidado, e muito cuidado, para não atravessar a tênue linha entre informar e julgar.

Não tenho poder, muito menos, capacidade em acusar o responsável pelo acontecido. Tampouco me utilizo deste espaço para defender os pais da jovem, atuais acusados pelo caso. Apenas acredito que é de suma importância tomar cuidado nas palavras e imagens que são usadas no momento de alertar os espectadores.

Sem entrar em nomes, pelo que foi possível acompanhar, de maneira empírica, alguns veículos prejulgam, e acusam, antes da solução do caso os responsáveis pela morte da jovem, alardeando de maneira até pejorativa os pais de Isabella.

Mais uma vez, de maneira alguma faço o papel de advogado defendendo-os, até porque não sou discente em direito, e sim de jornalismo, mas o cuidado com este caso é fundamental para o próprio jornalismo brasileiro.

A morte de Isabella foi uma tragédia, e não existe pessoa no mundo que possa dizer o contrário, porém, a imprensa nacional deve ter um zelo além do normal na averiguação das informações, não as transformando em julgamento público sem chance de defesa. Pois o caso da Escola Base ainda pulula na memória de muitos.