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O elo mais fraco

Junho 9, 2008

Semana passada, logo pela manhã, foram anunciadas as quatro cidades restantes que pleiteiam a feitura dos Jogos Olímpicos de 2016. Como tendência atual, grandes cidades cosmopolitas chegaram no momento final, e a Cidade Maravilhosa está entre elas.

Não querendo remar contra a maré, como diria o popularesco ditado, a situação é extremamente semelhante ao da famigerada Copa do Mundo em 2014, onde já fora confirmado seu local de realização meses atrás.

Pressupondo que a estrutura dos Jogos Pan-Americanos do ano passado continuem em pé durante os próximos anos, é possível, com muito empenho, transformar a atual sede internacional da dengue em um recinto propício para a realização dos jogos de Zeus e sua trupe.
 
Analisando desta maneira, uma boa reforma na estrutura já construída, de estádios e complexos esportivos, é mais que fundamental, afinal, nove anos distam entre os eventos. Além disso, todo o sistema turístico demandaria ser repensado, pois a maneira cavalar de como o Rio de Janeiro é visitado, um evento deste porte não agüentaria os viajantes.
 
Não apenas isto, os complexos de transporte e saúde precisariam urgentemente de incentivos fiscais em larga escala, revitalizando os precários existentes. Isto tudo sem bater na tecla mais famosa da cidade maravilhosa, a segurança.

O anúncio feito, no mesmo momento que uma guerra civil não declarada acontece no local, aparenta ser um tapa na cara de sua população, que sofre com os deméritos sociais ocorrentes na região atualmente, atingindo o nível de temer a saída da própria casa, por risco não voltar mais.
 
Enquanto se deveria pensar em uma solução para os problemas da terra de Machado de Assis, seus governantes se abraçam na comemoração de um pseudo gracejo popular que ignora os cataclísmicos acontecimentos.

Não querendo remar contra a maré, mas a chance do Rio de Janeiro conseguir realizar os Jogos Olímpicos de 2016, com o panorama atual, é ínfima. Ainda mais quando se bate de frente com cidades do porte de Madri, Tóquio e Chicago. Claro que o Rio não deve a nenhuma delas, mas, como se sabe, a corrente sempre se arrebenta no elo mais fraco, e dessa vez, as praias de Copacabana assumem esse posto.

A chama do ativismo

Abril 9, 2008

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Pode parecer trivial e popularesco, mas o ditado é uma verdade que pode ser aplicada em qualquer segmento da vida. Por mais que um fato se cruze por semelhantes esferas, é primordial saber diferenciar seus aspectos, sem deixar que nossas bagagens culturais interfiram nas conseqüências do acontecimento.

Porém, não é o que acontece atualmente no que se refere à vigésima sétima edição dos jogos olímpicos. Em quase 5 mil anos de celebrações esportivas, Zeus nunca deve ter imaginado que problemas abarcariam em seu secular evento.

Tradicional em todas as edições, e motivo de gracejo por onde passa, o trajeto da tocha olímpica dessa vez parece ter tido perdido seu conceito inaugural, transformando apenas como meio de protestos.

Não que a China esteja certa em fazer do Tibet seu jardim particular, mas usar tal momento para reivindicar sua liberação não parece cabível. Indiferente de onde serão realizadas, as Olimpíadas, que conseguiram sobreviver a duas guerras mundiais, não parece que chegará em agosto com toda a paz planejada. 

Apenas nas duas últimas semanas, as vindícias em Istambul, Londres e Paris demonstram a falta de preocupação e consideração com o ato esportivo. Posso dizer que não sou um fervoroso admirador das Olimpíadas, mas sua tradição deve ser respeitada.

Mais uma vez, de maneira nenhuma se deve colocar a China no papel de vítima, pois o problema tibetano é real e impetuoso, no entanto, tentar ganhar os holofotes neste momento, quando já era claro onde os jogos suceder-se-iam, é infundado, impróprio e irresponsável.

Os boatos sobre o boicote existem e correm pela internet. Seu fundamento é incerto, entretanto, caso sejam verdadeiros, prejudicariam apenas os profissionais que se prepararam nestes anos para demonstrar suas habilidades, que muitas vezes é uma oportunidade única em suas vidas, e são peremptoriamente destruidos pela benesse política de seus governantes.

Como disse o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, “não somos uma organização ativista, não somos uma organização política, somos uma organização esportiva”. Porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Inclusive protestos pacifistas.